A disputa pelo governo do Distrito Federal revelou comportamentos distintos do eleitorado conforme a região de votação. Um levantamento organizado cidade a cidade mostra que os votos nulos não se distribuíram de maneira uniforme: enquanto algumas áreas registraram índices expressivos de anulação, outras apresentaram as menores taxas do conjunto.

Onde os nulos pesaram mais

No topo da lista de anulações aparecem Ceilândia e Samambaia. As duas regiões, apontadas como os maiores colégios de Celina, tiveram a maior taxa de votos nulos na disputa pelo cargo de governador. O dado chama atenção justamente por envolver as bases mais expressivas da candidatura: foi nos colégios onde Celina é mais forte que o eleitorado mais recorreu à anulação na hora da escolha.

O peso das duas regiões amplia o alcance do resultado. Por concentrarem um contingente maior de votantes, Ceilândia e Samambaia dão à taxa de nulidade observada nelas uma dimensão proporcional ao tamanho de seus colégios eleitorais.

Menor taxa onde Grass venceu

No extremo oposto do ranking estão Asa Norte e Asa Sul. As duas regiões do Plano Piloto, onde Grass levou a melhor, apresentaram a menor taxa de nulidade entre as localidades analisadas. Em outras palavras, os territórios que deram vitória a Grass foram também os que menos anularam votos para governador.

O contraste entre os dois grupos desenha um mapa peculiar da disputa. De um lado, os maiores colégios de Celina concentraram as anulações mais frequentes; de outro, os territórios onde Grass se impôs exibiram os menores índices do levantamento. A leitura dos números sugere comportamentos distintos nos dois polos da eleição: nas bases mais fortes de uma candidatura, o voto nulo apareceu com mais peso; onde a outra candidatura venceu, a anulação recuou.

O que é o voto nulo

Na urna eletrônica, o voto é considerado nulo quando o eleitor digita um número que não corresponde a nenhuma candidatura registrada naquele pleito. Diferentemente do voto em branco, o nulo não é contabilizado para nenhum candidato e também não entra no total de votos válidos que define o resultado da eleição.

Justamente por não ser atribuído a ninguém, o voto nulo costuma ser interpretado como uma forma de manifestação do eleitor, uma espécie de recusa às opções disponíveis. Por isso, a taxa de anulação por cidade é frequentemente lida como um indicador do humor do eleitorado diante das candidaturas em disputa.

Mapa que espelhou a disputa

Os números desta eleição para o governo reforçam essa leitura. Ceilândia e Samambaia, maiores colégios de Celina, lideraram as anulações; Asa Norte e Asa Sul, onde Grass foi vitorioso, registraram os menores índices. O mapa do voto nulo, assim, acabou desenhado nos termos da própria corrida pelo governo: de um lado, os colégios mais expressivos de Celina; de outro, as regiões conquistadas por Grass, com as taxas de nulidade acompanhando essa divisão.