O Distrito Federal recebe nesta sexta-feira (23) mais uma edição do Banquetaço, mobilização que cobra do poder público políticas permanentes de combate à fome. O ato acontece em um momento de alerta: dados apresentados na 6ª Conferência Distrital de Segurança Alimentar e Nutricional apontam que 27% da população do DF vivia em situação de insegurança alimentar em 2024, o equivalente a cerca de 845 mil pessoas.

Um retrato preocupante

Os números divulgados na conferência revelam a dimensão do problema na capital do país. Quase três em cada dez habitantes do Distrito Federal enfrentam algum grau de dificuldade para garantir o acesso regular e suficiente de alimentos, o que coloca o tema entre as principais demandas sociais da região.

Os organizadores do Banquetaço defendem que o enfrentamento da fome não pode depender apenas de ações emergenciais ou pontuais. Para o movimento, é necessária a construção de políticas estruturantes e permanentes, capazes de garantir a segurança alimentar da população de forma contínua, com planejamento de longo prazo e participação social.

Mobilização simbólica

O formato do protesto é simbólico: os participantes se reúnem em torno de mesas montadas em espaços públicos, ocupando as cadeiras como quem se senta para uma refeição que, para muitos brasileiros, ainda é inacessível. A imagem busca traduzir de forma visível a realidade de milhões de pessoas que convivem diariamente com a incerteza do prato de comida.

No Distrito Federal, a edição desta sexta-feira (23) se soma a uma série de mobilizações realizadas em outras regiões do país, com o objetivo comum de pressionar governos e legisladores por respostas efetivas à fome.

Próximos passos

A realização do ato coincide com o período de debates da 6ª Conferência Distrital de Segurança Alimentar e Nutricional, espaço que reúne sociedade civil e poder público para discutir diretrizes da política de segurança alimentar. Os dados apresentados no encontro devem subsidiar as discussões e servir de base para as reivindicações apresentadas aos gestores públicos.

Com cerca de 845 mil pessoas afetadas pela insegurança alimentar no DF, segundo os números de 2024, o desafio colocado aos formuladores de políticas é concreto: transformar a urgência do presente em ações duradouras que garantam, de forma permanente, o direito à alimentação adequada.