O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apresentou nesta quarta-feira, 21, denúncia contra um sexto suspeito de envolvimento no assalto ocorrido em julho em um condomínio de casas de alto padrão na região do Morumbi, na capital paulista. O crime, marcado pela sofisticação na execução, foi captado pelas câmeras de segurança do condomínio. Até agora, cinco integrantes do grupo já foram presos, e o prejuízo às vítimas é estimado em pelo menos R$ 2 milhões.

Acusado teria participado da rendição do porteiro

Na denúncia encaminhada à 1ª Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens e Valores, o promotor João Otávio Fiorentini Rodrigues Nunes apontou Thaylon Ricardo Inês da Silva, conhecido pelos apelidos de “Bigode”, “Orelha” ou “Tripa Seca”, como um dos responsáveis por render o porteiro do condomínio sob o pretexto de fazer uma entrega.

“A atuação atribuída ao denunciado compreende sua integração estável a uma organização criminosa armada e sua contribuição para uma ação previamente planejada, executada por diversos agentes, com domínio da portaria de condomínio residencial, imobilização do funcionário, subtração de bens e disparos contra veículo ocupado por uma família. Essas circunstâncias também evidenciam a insuficiência da solução consensual para a reprovação e a prevenção dos crimes”, registrou o promotor no documento, protocolado às 15h33.

O membro do MP defendeu ainda a prisão do acusado. Segundo ele, “a materialidade e os indícios suficientes de autoria estão demonstrados pelos relatos das vítimas, pelos registros de monitoramento, pelos relatórios de investigação, pelo reconhecimento fotográfico e pelos elementos arrecadados na busca domiciliar”. O caso agora aguarda decisão do juiz Antonio Carlos Costa Pessoa Martins.

Relógio apreendido coincide com imagens do crime

Durante um mandado de busca e apreensão cumprido no fim de setembro, a polícia localizou em uma residência um relógio com características idênticas ao usado por um dos criminosos no dia do assalto. “No interior da residência foi localizado e apreendido um relógio da marca Citizen Promaster, com estrutura metálica, fundo de cor laranja e pulseira preta, cujas características coincidem com aquelas observadas nas imagens do roubo, nas quais um dos autores responsáveis pela rendição do porteiro utiliza relógio com os mesmos traços distintivos”, aponta trecho do relatório policial assinado pelo delegado Fábio Furlan.

Em depoimento, Bigode negou participação no crime. A defesa do suspeito ainda poderá se manifestar nos autos.

Como foi o assalto no Morumbi

O crime aconteceu em 5 de julho. Os criminosos chegaram ao condomínio fingindo fazer uma entrega e dominaram o porteiro. Vestiam roupas comuns, e um deles usava uma camiseta da Seleção Brasileira — no mesmo dia, o Brasil foi eliminado pela Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo. Após amarrar o funcionário, o grupo comunicou os demais comparsas, que entraram no condomínio em dois veículos. De cada carro, ao menos quatro assaltantes desceram e invadiram uma das residências.

Os criminosos levaram bolsas, relógios e joias avaliados em cerca de R$ 2 milhões. Os moradores chegaram à casa durante a ação e foram alvo de tentativa de rendição, junto com os filhos pequenos do casal. Como o veículo das vítimas era blindado, o motorista conseguiu deixar o estacionamento do condomínio. Os bandidos atiraram contra o carro e, por isso, também respondem por latrocínio na forma tentada, crime que combina roubo e tentativa de homicídio.