O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta segunda-feira (19), em Manaus, que vai apoiar o Amazonas no enfrentamento das queimadas caso vença a eleição. A declaração foi feita durante um ato público realizado no complexo turístico da Ponta Negra, na zona oeste da capital amazonense.
O senador participou do evento ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e de Maria do Carmo (PL), candidata ao Governo do Amazonas.
“A partir de janeiro do ano que vem, vocês terão um presidente que vai ajudar o estado do Amazonas a combater as queimadas”, disse o candidato, sem detalhar quais medidas pretende adotar em caso de vitória.
BR-319 e Zona Franca
No mesmo discurso, Flávio Bolsonaro prometeu investimentos em infraestrutura na região amazônica. “A BR-319 vai sair”, declarou para a multidão presente no ato. Ele também garantiu que a Zona Franca de Manaus será mantida e que pretende gerar emprego e oportunidades para a população local.
Ao atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu adversário na disputa eleitoral, o senador afirmou que o país vive hoje no atraso e que, a partir de 2027, terá um governo “da modernidade e do futuro”.
A BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, é alvo de controvérsia. Em abril, um grupo de 20 pesquisadores de universidades brasileiras e estrangeiras publicou uma carta na revista Science alertando que a autorização do governo federal para as obras da rodovia pode provocar novas pandemias com impacto global. O avanço da mineração de potássio na região também é citado como fator de risco. A publicação ocorreu dez dias depois de o Ministério dos Transportes do governo Lula liberar o avanço dos trabalhos.
Regularização fundiária em Marabá
Mais cedo nesta terça, em Marabá (500 km de Belém), Flávio Bolsonaro anunciou que pretende, se eleito, lançar um programa de regularização fundiária e rever as restrições ambientais que, segundo ele, teriam motivação ideológica.
Em um discurso de cinco minutos, o candidato prometeu ampliar a titulação de terras e defendeu que os proprietários tenham autonomia para decidir como usar suas áreas. Segundo ele, os donos poderão “fazer o que quiser” com suas terras.
“Vamos respeitar a propriedade privada. Você vai poder plantar, criar gado, vai fazer o que quiser na sua terra e o que você explorar da terra é seu. Esses entraves ambientais por razões ideológicas vão acabar”, afirmou.
Crise das queimadas
O compromisso com o combate aos incêndios foi anunciado em meio à crise ambiental no Amazonas, intensificada pelo El Niño, que tem favorecido a propagação das chamas pela Amazônia.
No domingo (18), uma comitiva do governo federal chegou a Manaus para avaliar a situação dos incêndios florestais no estado e anunciar o apoio das Forças Armadas nas ações de combate. Integravam a delegação os ministros do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco; da Justiça, Wellington César Lima e Silva; da Defesa, José Múcio Monteiro; e da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes.
Segundo o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), mais de 300 incêndios já foram extintos desde o início da temporada, em junho.
