O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protocolou nesta quarta-feira (21.out.2026) no Tribunal Superior Eleitoral uma petição com 19 condições para liberar seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. O documento é uma resposta ao desafio lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o debate da Band, no domingo (18.out).
A petição foi apresentada na reta final da campanha do 2º turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. Na terça-feira (20.out), a defesa de Lula já havia protocolado no TSE um pedido de abertura de sigilo, condicionado a uma ação recíproca do senador.
Aceite com ressalvas
Flávio declara na petição aceitar a abertura de seus próprios sigilos referentes aos últimos 20 anos, incluindo os de familiares e de 4 empresas das quais é sócio ou administrador. O senador também autoriza a divulgação de mensagens trocadas com Daniel Vorcaro sobre os R$ 69 milhões transferidos pelo fundador do Banco Master ao fundo do filme “Dark Horse”, que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A equipe jurídica de Flávio classificou a proposta original de Lula como uma “gaveta vazia”, argumentando que o presidente deixa de fora investigações como a operação Lava Jato, o caso do Banco Master e as fraudes contra aposentados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
As 19 exigências
Os pedidos se organizam em 5 frentes e têm como alvo informações financeiras, telefônicas e administrativas envolvendo Lula, seus familiares e pessoas próximas ao governo.
Marcola: Flávio requer a quebra de sigilo de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Lula.
Lulinha: o senador exige a quebra de sigilos bancários de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e de sua mulher, Renata de Abreu Moreira. Pede também sigilos de empresas vinculadas ao filho mais velho de Lula, como G4 Entretenimento, BR4 Participações, Gamecorp, LLF Participações, FFK Participações, Flexbr Tecnologia e a offshore Synapta. A lista inclui empresas de outros filhos do presidente — Lurian, Marcos Cláudio, Sandro Luís e Luís Cláudio — e negócios do empresário Fernando Bittar, sócio de Lulinha em empreendimentos como TV Araras, Coskin Assessoria e M7 Produções. Contempla ainda o Instituto Lula, seu ex-presidente Paulo Okamotto e a empresa L.I.L.S. Palestras, desde 2003. Os pedidos fazem referência à rede do filho mais velho do petista, alvo de 3 inquéritos na Polícia Federal por tráfico de influência.
Caso Master: a segunda frente aborda as relações do governo com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, preso preventivamente desde março na Penitenciária Federal de Brasília por corrupção e lavagem de dinheiro. Flávio pede registros de visitas a Vorcaro na custódia da PF, planos de voo e lista de passageiros da aeronave PS-FST na semana da prisão, em novembro de 2025, além dos registros do encontro entre Lula e o então banqueiro, realizado em 4 de dezembro de 2024. Constam também pedidos sobre a entrada de Vorcaro e seus intermediários nos palácios do Planalto e da Alvorada e dados de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, de Guido Mantega e de Augusto Lima, então CEO do banco.
Caso INSS: a terceira frente trata da lobista Roberta Luchsinger, amiga próxima de Lulinha, com pedidos de registros de visitas ao Planalto e à Alvorada, voos na FAB (Força Aérea Brasileira), reuniões em órgãos federais e os sigilos de sua empresa, a RL Consultoria e Intermediações. A petição requer ainda a quebra de sigilo de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão de Lula e vice-presidente do Sindnapi, do próprio sindicato — com bloqueio judicial de R$ 389 milhões registrado em 2025 — e de Edson Claro, ex-funcionário de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.
Viagens de Janja: a quarta frente concentra pedidos sobre despesas com dinheiro público, com foco na primeira-dama Janja Lula da Silva. Flávio requer a divulgação integral dos gastos com o cartão corporativo da presidência desde 1º de janeiro de 2023. A petição cita auditoria do Tribunal de Contas da União segundo a qual 99,55% desses gastos foram registrados como sigilosos. O documento também pede a agenda da primeira-dama anterior a fevereiro de 2025, registros de visitas dos filhos de Lula a palácios presidenciais e informações sobre o uso de helicópteros e despesas da Alvorada.
Cobrança por resposta
Além dos 19 pedidos, Flávio solicita ao TSE que intime Lula a se manifestar sobre as condições e apresente os termos individuais de autorização para a quebra de sigilo. Caso o presidente não concorde, o senador pede que a recusa seja formalmente registrada nos autos.
