O governo federal enfrentou um revés em sua articulação política após o primeiro turno das eleições municipais. O Planalto pretendia levar à votação, ainda nesta semana, a proposta que pretende acabar com a escala de trabalho 6×1, mas o resultado das urnas aumentou as dúvidas sobre o apoio que a matéria conseguiria reunir no Senado.

Articulação que perdeu força

Até a realização do primeiro turno, a avaliação dentro do governo era de que havia condições de avançar com a votação antes do segundo turno das eleições. Por essa razão, as lideranças do Planalto se mobilizavam para inserir a pauta na agenda desta semana.

O desempenho considerado ruim do presidente Lula e dos partidos aliados nas capitais, no entanto, alterou os cálculos. Com o desgaste registrado nas urnas, senadores passaram a reavaliar seus posicionamentos, e a leitura no Planalto passou a apontar menor previsibilidade de apoio à medida.

O que está em jogo

A matéria, que tramita no Senado como proposta de emenda à Constituição, trata do fim do regime em que o trabalhador cumpre seis dias de expediente e descansa apenas um, com a possibilidade de redução da jornada sem prejuízo salarial e com transição gradual. A pauta é uma das principais bandeiras das centrais sindicais e de movimentos de trabalhadores, que pressionam o Congresso Nacional pela aprovação.

Nos últimos meses, o tema ganhou espaço no debate nacional, com mobilizações de trabalhadores em diversas cidades e pressão crescente sobre o Legislativo. No campo governista, a expectativa era de que a aprovação representasse uma conquista concreta do governo diante da categoria.

Caminho no Senado e o relógio eleitoral

Para ser aprovada, a proposta ainda precisa passar pela comissão de Constituição e Justiça e, depois, pelo plenário da Casa, em dois turnos de votação. O acompanhamento do humor dos senadores tornou-se central no Planalto, já que qualquer sinal de recuo dos aliados compromete o cronograma pretendido pelo Executivo.

Com o segundo turno marcado para as próximas semanas, a janela para votar a proposta antes da disputa final encurta. Caso a votação não ocorra neste período, a discussão tende a ficar para depois das eleições municipais, em um cenário político que pode ser ainda mais desfavorável ao governo.