Justiça nega prisão preventiva de motorista acusado de matar tio de Boulos
A Justiça de São Paulo decidiu nesta terça-feira (20) não acolher o pedido de prisão preventiva de Amilton Jusselino Rodrigues, de 61 anos, técnico em eletrônica investigado pela morte de Carlos Boulos, de 80 anos, tio do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos.
O juiz Daniel de Medeiros Silva Corró, no entanto, recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público e aplicou medidas cautelares ao investigado. Entre elas está a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Como foi o caso
O atropelamento aconteceu na noite de sábado (3), na Avenida 23 de Maio, no Centro de São Paulo, depois de uma discussão de trânsito. Carlos Boulos caiu, bateu a cabeça e morreu dias depois.
Tanto a autoridade policial quanto o Ministério Público pediram a prisão preventiva de Amilton, argumentando que ele fugiu do local e que a medida era necessária para garantir a ordem pública. O magistrado, contudo, avaliou que os requisitos legais para a decretação da prisão não estavam integralmente presentes naquele momento.
Além da suspensão da CNH, o juiz determinou que o investigado compareça mensalmente em juízo e proibiu que ele mude de endereço ou se ausente de sua residência sem autorização da Justiça.
Na decisão, o magistrado deu dez dias para que a defesa apresente resposta escrita à acusação. Também foram determinados exames periciais e necroscópicos para esclarecer as circunstâncias do caso.
Amilton prestou depoimento à Polícia Civil e foi liberado depois de dar sua versão dos fatos. Não houve prisão em flagrante.
Argumentos da defesa
Segundo os advogados de Amilton, ele deixou o local por se sentir ameaçado e para proteger a esposa, o filho e a si mesmo. A defesa afirma que o motorista não teve intenção de atingir Carlos Boulos e sustenta que familiares corroborarão essa versão em depoimentos.
Os advogados ainda afirmam que a dinâmica do atropelamento deverá ser esclarecida pelas imagens, pela perícia e pelos demais elementos reunidos na investigação.
“O caso ainda está sendo apurado e é precipitado afirmar, neste momento, que houve intenção de matar”, afirmou o advogado Natan Tolintino.
“Não houve intenção deliberada de atingir ou matar a vítima”, declarou.
A defesa informou que o motorista permanece à disposição da Polícia Civil, lamentou o ocorrido e manifestou preocupação com o estado de saúde de Carlos Boulos.
Discussão de trânsito precedeu o atropelamento
De acordo com o 78º Distrito Policial (Jardins), Carlos Boulos desceu de sua caminhonete após uma discussão no trânsito para tirar satisfação com o motorista de um veículo que estava atrás.
Conforme o registro inicial da polícia, o condutor teria avançado deliberadamente com o carro contra Carlos. A vítima caiu, bateu a cabeça e sofreu ferimentos graves.
O atropelamento foi filmado por uma pessoa que estava logo atrás dos veículos e presenciou a discussão. Duas testemunhas também viram o caso. As imagens permitiram identificar a placa do automóvel.
Inicialmente, a ocorrência foi registrada como tentativa de homicídio, e a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o motorista havia fugido e era procurado.
Depois, segundo a defesa, Amilton compareceu à polícia, prestou esclarecimentos e colaborou com a investigação.
