As mulheres alcançaram recorde de eleitas para as Assembleias Legislativas e a Câmara do Distrito Federal nas eleições deste domingo (4). Das 1.059 cadeiras em disputa no país, 218 serão ocupadas por mulheres — 27 a mais do que em 2022.
O número cresce de forma contínua na última década e meia: em 2010, foram 138 eleitas; em 2014, 119; em 2018, 163; em 2022, 191. Na próxima legislatura, elas representarão 21% das Assembleias e da Câmara Distrital.
Ceará lidera proporção
O Ceará registra a maior proporção do país: as 14 deputadas eleitas ocuparão 30,4% das cadeiras, ante 19,6% na eleição anterior. São Paulo aparece em segundo, com 29,8%, seguida do Rio Grande do Norte, com 29,2%.
Além do Ceará, também ampliaram o percentual feminino Pará, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Roraima, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraíba, Santa Catarina, Pernambuco, Mato Grosso, Bahia, Goiás, São Paulo e Rio de Janeiro, além do Distrito Federal.
Sete estados recuam
Sete unidades da federação viram a presença feminina diminuir em relação a 2022: Amazonas, Acre, Rondônia, Amapá, Sergipe, Alagoas e Paraná. Amazonas e Acre tiveram as maiores quedas, de 12,5%. No Acre, o recuo significou a saída total de deputadas: as três eleitas em 2022 deram lugar a uma Casa composta apenas por homens.
Maranhão, Piauí, Tocantins e Mato Grosso do Sul mantiveram o mesmo número de mulheres da eleição passada, com 12, 4, 3 e 2 deputadas, respectivamente. Os percentuais variam de 28,6% no Maranhão a 8,3% no Mato Grosso do Sul. Piauí tem 13,3% e Tocantins, 12,5%.
São Paulo elege 28 deputadas
Em São Paulo, o avanço foi modesto: 28 eleitas contra 26 em 2022, elevando a participação de 27,7% para 29,8% na Alesp. A candidata mais votada do estado foi uma mulher: Eduarda Campopiano (PL), com 1.956.238 votos. Ex-vereadora de Praia Grande, ela fez campanha com plataforma contrária ao feminismo e o slogan de ser “uma pedra no sapato da esquerda”.
A esquerda paulista elegeu Sofia Favero (PSOL), que integrará a bancada trans na Casa ao lado de Dani Balbi (PCdoB-RJ) e Linda Brasil (PSOL-SE), reeleitos, e de Natasha Ferreira (PT-RS).
O PSOL elegeu, ainda, Paula da Bancada Feminista, Ediane Maria, Luiza Erundina, Monica das Pretas, Mariana Conti, Débora Camilo e Keit Lima. Do PT, que teve 16 eleitos, quatro são mulheres: Duda Hidalgo, Ana Perugini, Professora Bebel e Thainara Faria. O PSB conquistou uma cadeira com Marina Bragante.
À direita, foram 11 eleitas. O PL elegeu cinco: Fabiana Bolsonaro, Dani Alonso, Delegada Graciela, Letícia Aguiar e Eduarda Campopiano. Bruna Furlan e Ely Santos foram eleitas pelo Republicanos, Ana Carolina Serra pelo PSDB e Solange Freitas, Camila Godoi e Renata Sene pelo União Brasil. Entre os partidos de centro, Marta Costa, Analice Fernandes e Carla Morando (PSD) e Regina Nunes (MDB) conquistaram mandatos.
Das 28 deputadas eleitas em São Paulo, 13 são de esquerda, 11 de direita e 4 de centro — repetindo a tendência nacional de maior presença da esquerda entre as mulheres eleitas.
