Economist aponta segundo turno de 2026 como o mais disputado desde a redemocratização
A revista britânica The Economist publicou, na quarta-feira (21), uma análise sobre a eleição presidencial brasileira em que avalia que o segundo turno tende a ser o mais equilibrado desde o fim do regime militar. A publicação questiona no título se Lula, descrito como “agora um azarão”, ainda teria “uma última carta na manga”.
Segundo a revista, nenhum candidato que saiu derrotado do primeiro turno na história do país conseguiu se reverter no segundo. Ainda assim, o texto destaca que o presidente Lula (PT) “se recusa a ser derrotado”, mesmo após terminar atrás de Flávio Bolsonaro (PL) na votação de outubro. O senador aparece um ponto à frente do petista nas intenções de voto, conforme o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil. “Será que ele consegue, agora, protagonizar uma reviravolta?”, indaga a publicação.
Medidas do governo após a derrota no primeiro turno
De acordo com a revista, depois da derrota considerada “desastrosa” em 4 de outubro, Lula adotou “medidas drásticas”. Entre elas estão o apoio à redução da maioridade penal para crimes graves, a pressão sobre o Congresso para aprovar o fim da escala 6×1 e promessas como o perdão de dívidas de pequenas empresas e o transporte público gratuito nos finais de semana.
O texto também menciona o reajuste do valor do Bolsa Família e a proibição das apostas esportivas como ações do governo no período.
Para a Economist, as pesquisas de opinião indicam que essas iniciativas tiveram algum efeito, mas a revista faz uma ressalva: “os institutos de pesquisa no Brasil têm falhado repetidamente em captar com precisão o sentimento de direita, inclusive antes do primeiro turno, em 4 de outubro, quando as pesquisas apontavam Lula com vários pontos de vantagem”.
Reação de Flávio Bolsonaro
A reportagem observa que o candidato do PL também reagiu às movimentações do adversário. Ele terminou votando a favor da redução da jornada de trabalho, medida que antes criticava. Em debate realizado em 18 de outubro, afirmou que a criminalidade teria aumentado durante o terceiro mandato de Lula — dado que, segundo a revista, na verdade caiu. Dos quatro candidatos de direita eliminados no primeiro turno, que somaram 8% dos votos, três declararam apoio a Flávio Bolsonaro.
Apesar do cenário de disputa apertada nas pesquisas, a consultoria francesa Le Millénaire, especializada em previsões eleitorais, estima em 82% a probabilidade de vitória do senador.
Disputa também no investimento digital
A Economist destaca ainda a diferença de investimento nas campanhas digitais. Antes do primeiro turno, a campanha de Flávio Bolsonaro gastou pelo menos US$ 2 milhões — cerca de R$ 10 milhões — para impulsionar conteúdo online. Já a campanha de Lula aplicou pouco menos de US$ 500 mil, aproximadamente R$ 2,5 milhões, embora tenha distribuído grande quantidade de adesivos com o rosto do presidente.
“Com apenas alguns dias de campanha restantes, a equipe de Lula deve esperar, ansiosamente, que os métodos tradicionais ainda se mostrem os melhores”, conclui a revista.
