As redes sociais foram palco, na semana passada, de uma polêmica envolvendo o economista e ex-BBB Gil do Vigor. O jornalista Álvaro Pereira Jr. publicou uma postagem em que debochava da comemoração feita pelo economista, que celebrou a aceitação de dois artigos pela SBE (Sociedade Brasileira de Econometria), conforme reportagem do UOL.

A submissão de trabalhos a congressos acadêmicos é prática comum entre alunos, pesquisadores e professores, que buscam debater resultados preliminares e colher sugestões. Os encontros são organizados por associações científicas, tanto no Brasil quanto no exterior.

A celebração de Gil do Vigor, que concluiu recentemente o doutorado, acompanha postagens frequentes nas redes sociais, sobretudo de estudantes e recém-doutores. Com os aceites, o próximo passo é submeter os artigos a revistas acadêmicas, dando início à revisão por pares, processo que pode ser bastante longo.

Como funciona a seleção

A SBE é uma associação científica que organiza, anualmente, o Encontro Brasileiro de Econometria (EBE), que chega à 48ª edição. No processo de seleção, cada artigo é avaliado por dois pareceristas de instituições diferentes, que desconhecem a identidade dos autores.

Natural de Jaboatão dos Guararapes (PE), Gil do Vigor enfrentou dificuldades ao longo da trajetória, mas concluiu a graduação e o mestrado em economia e cursou o doutorado no exterior. Além da formação, destaca-se pela habilidade na comunicação, que usa de forma positiva em defesa da educação como elemento fundamental para a transformação.

Referência para os jovens

Para a economista Lorena Hakak, doutora em economia, professora do PPGE/UFABC e presidente da GeFam (Sociedade de Economia da Família e do Gênero), um comunicador que não apenas defende a educação, mas cuja própria trajetória reflete essa crença, é uma referência importante para a juventude brasileira. Segundo ela, isso é ainda mais relevante em um país que desvaloriza seus professores e apresenta resultados educacionais ruins. A própria pesquisadora relatou ter dois artigos aceitos pela SBE neste ano. Para a especialista, não é trivial contar com uma figura pública que fale sobre educação, pós-graduação e pesquisa para milhões de pessoas, já que os acadêmicos, em geral, têm dificuldade em conversar com quem está fora desse meio.

Desempenho educacional

A defesa da educação ganha peso diante dos números. O Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) de 2025 indica a necessidade de investimento na qualidade do ensino. Segundo o livro Resultados Pisa 2025 (volume 1), entre 2006 e 2025 o Brasil melhorou apenas em ciências, com elevação de 390 para 409 pontos.

Em matemática, apenas 28% dos estudantes de 15 anos alcançaram pelo menos o nível 2, contra 65% na média da OCDE. Esse patamar significa que os alunos podem interpretar e reconhecer, sem instruções diretas, como uma situação simples pode ser representada matematicamente.

Praticamente não houve estudantes brasileiros nos níveis mais altos da prova (5 ou 6), ante 8% na média da OCDE e 37% em Singapura. Em leitura, somente 1% dos estudantes atingiram pontuação no nível 5 ou superior.

Os resultados mostram a dimensão do desafio, mas também uma oportunidade: a queda acentuada da fecundidade abre espaço para aumentar o investimento por aluno, especialmente nos anos iniciais da educação básica. É preciso investir mais e, sobretudo, melhor.

No texto, a economista questiona que mensagem é passada aos jovens ao se transformarem conquistas acadêmicas em motivo de deboche em um país com enormes dificuldades para melhorar a qualidade da educação.