O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) formalizou no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a autorização para quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dele, da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva (Janja), e dos cinco filhos: Lurian, Marcos Cláudio, Fábio Luís (o Lulinha), Sandro Luís e Luís Claudio. A medida, porém, tem uma condição: que Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário na disputa de 2026, autorize a mesma abertura sobre ele, a mulher, Fernanda Bolsonaro, os pais, Jair e Rogéria Bolsonaro, e os irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan Bolsonaro.

Além dos familiares, o petista quer que o senador revele dados de cinco empresas de que seria sócio. O documento entregue à Justiça Eleitoral inclui o CNPJ da Alcazar Holdings, sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, da qual é sócio o advogado Willer Tomaz. A inclusão ocorreu após e-mails obtidos pela Polícia Federal indicarem que Flávio Bolsonaro compartilhava uma conta no Santander com o advogado.

Acusações envolvendo Willer Tomaz

Willer Tomaz é suspeito de participação em esquema de lavagem de dinheiro ligado a fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Em maio de 2025, uma funcionária do empresário pediu ao banco que Flávio Bolsonaro fosse desvinculado da conta relacionada à Alcazar. Os dois negam envolvimento em qualquer esquema.

Em nota divulgada no início do mês, a assessoria do senador afirmou que ele “nunca manteve conta tendo como usuário master o sr. Willer Tomaz ou qualquer das empresas dele” e classificou como falsas as afirmações nesse sentido. O termo “usuário master” designa, em geral, o usuário principal de uma conta ou sistema, com permissões de acesso e administração superiores às dos demais participantes, variando conforme o banco e o tipo de conta.

Empresas apontadas no documento

A equipe do presidente sustenta que Flávio Bolsonaro “é sócio, conforme dados públicos abertos, em diversas empresas no Brasil e movimenta expressivos recursos em contas offshore”. O petista cita o escritório de advocacia do senador, a All In One Corretora de Seguros Ltda, voltada a corretores e agentes de seguros e a planos de previdência complementar e de saúde; a Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação Ltda, que produz artigos de grafeno, mineral mais resistente e leve que o aço cuja exploração o ex-presidente defendeu durante o mandato; e a Bolsonaro Digital Ltda, que atua com marketing direto e tem a família no quadro societário.

O documento também registra que Lula é sócio não administrador da LILS, empresa responsável pelas palestras do presidente, aberta em 2011. A proposta prevê que, caso o adversário concorde, serão liberados extratos, declarações de imposto de renda, rendimentos, bens, dívidas e registros de chamadas de sua família e de suas empresas — e Lula quer a divulgação das informações “a toda a sociedade brasileira”.

Origem do desafio

O anúncio foi feito na segunda-feira (19), durante ato de campanha em Porto Alegre e em entrevista ao SBT. “Eu sei que, em toda eleição, inventam alguma coisa contra a minha família e resolvi não ficar quieto. Esta é a minha última disputa eleitoral, e eu não posso deixar que um ladrão tente jogar a minha biografia no lixo”, disse o petista na capital gaúcha.

As declarações vieram um dia após o primeiro debate presidencial do segundo turno, realizado pela Band no domingo (18), marcado por trocas de acusações sobre corrupção. No encontro, Lula propôs que os dois candidatos entregassem documentos aos presidentes do STF e do TSE. Flávio afirmou não ter nada a esconder, mas não confirmou se aceitaria a proposta e, sem apresentar provas, acusou Lula de manter recursos fora de suas contas bancárias.

O embate teve origem na cobrança de Flávio por explicações sobre Lulinha, citado em investigações sobre irregularidades no INSS. Lula respondeu que o filho havia autorizado o acesso a seus dados bancários.