A Câmara dos Deputados terá, a partir de 2027, a maior bancada feminina de sua história. Foram eleitas 109 deputadas nas eleições deste domingo (4), contra 90 em 2022 — um crescimento de 21,1%, com 18 mulheres a mais. Mesmo assim, elas continuarão sendo minoria absoluta: serão 21,2% das 513 cadeiras da Casa, ante 17,5% na legislatura atual.

O avanço, no entanto, segue distante da participação feminina na população brasileira, que é de 51,5%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Bancada feminina pende à esquerda

Diferentemente do Senado, onde as mulheres de direita puxaram o crescimento, a bancada feminina da Câmara é mais à esquerda que o conjunto da Casa. Entre as 109 eleitas, 52 são de direita (48%), 47 de esquerda (43%) e 10 de centro (9%).

A proporção é estável em relação a 2022, quando as deputadas de direita também somavam 48%, as de esquerda 41% e as de centro 11% — com leve retração do campo central.

Na composição total da Câmara, porém, a direita domina: 59,1% dos parlamentares são de partidos de direita, 24,2% de esquerda e 16,8% de centro. Entre os 404 homens eleitos, segundo dados do TSE, 62% são de direita, 19% de esquerda e 19% de centro.

A classificação das siglas segue o GPS Partidário 2026, análise que posiciona os partidos com base na prática política, e não no que as legendas declaram ser.

Partidos

Na esquerda, o PT lidera com 25 deputadas eleitas. O PSOL, que elegeu oito — incluindo Erika Hilton, a mulher mais votada da história —, vem em seguida, seguido por PC do B (7), PSB (5) e PV (2). PDT e Rede não elegeram mulheres.

No centro, foram 10 eleitas: cinco do MDB e cinco do PSD. Avante e Solidariedade ficaram sem representação feminina.

À direita, o PL foi o partido com mais deputadas, 22, seguido por União Brasil (8), Podemos (7), PP (6) e Republicanos (5). O Novo elegeu duas, e PSDB e PRD, uma cada. A legenda Missão não elegeu deputadas.

Senado

No Senado, 12 senadoras foram eleitas, recorde de participação feminina na Casa. Somadas às seis que já ocupam o cargo, elas serão 18 a partir do próximo ano — alta de 80% em relação ao início de 2023, quando eram dez —, o equivalente a 22,2% das cadeiras. Nessa Casa, a expansão foi puxada por mulheres de direita.

Câmara segue dominada pela direita

A nova composição da Câmara confirma a concentração de votos em partidos de direita. Entre as legendas do campo progressista, apenas o PT teve eleição expressiva de deputados federais.

O PL, sigla do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, elegeu a maior bancada, com 121 deputados. Flávio terminou o primeiro turno à frente do presidente Lula (PT), com 47% dos votos contra 45% do petista.

O PT é o segundo partido com mais deputados eleitos, 70, seguido por União Brasil (46), PSD (43), PP e Republicanos (41 cada). Completam o quadro MDB (36), Podemos (27), PSB (15), PSOL (14), PC do B e PSDB (11 cada), Novo (10), PV (7), PDT (6), Avante e PRD (5 cada), Solidariedade (2) e Rede e Missão (1 cada).