O ministro da Fazenda, Durigan, rejeitou a proposta de cortar R$ 200 bilhões em despesas defendida por Flávio Bolsonaro. Para o titular da pasta econômica, o tamanho do ajuste pretendido torna a medida inviável — em suas palavras, “é impossível”.

Corte travaria ações ambientais e socorro a desastres

Na justificativa apresentada, Durigan afirmou que uma redução de despesas nessa escala travaria ações em duas frentes sensíveis: o combate ao desmatamento e o socorro a vítimas de desastres. Segundo ele, essas áreas dependem de recursos e de capacidade operacional que seriam comprometidos caso o corte sugerido fosse levado adiante.

O argumento indica que o problema, na avaliação do ministro, não se resume ao tamanho do número. Cortar nesse volume significaria interromper iniciativas em andamento justamente nas frentes em que o poder público precisa atuar de forma emergencial e continuada, como o enfrentamento da destruição florestal e o atendimento a populações atingidas por calamidades.

Ressalva à substituição de servidores

Durigan também criticou a ideia de trocar servidores públicos por inteligência artificial. Para o ministro, a substituição de pessoal por tecnologia não é um atalho adequado na busca por eficiência na máquina pública.

A crítica se soma à rejeição do corte bilionário e reforça o posicionamento da Fazenda no embate sobre o tamanho do gasto. Na leitura do titular da pasta, propostas desse tipo desconsideram o custo operacional das políticas atualmente em curso.

Impasse no debate sobre gastos

A divergência expõe o desencontro no debate sobre as contas públicas. De um lado está a defesa de um corte de R$ 200 bilhões; de outro, a avaliação de que ajuste nesse patamar paralisaria políticas ambientais e o socorro em desastres, além de abrir espaço para a troca de servidores por inteligência artificial — combinação que, para Durigan, não se sustenta.

O episódio alimenta o embate entre a busca por contenção de despesas e a necessidade de preservar programas considerados prioritários pelo governo — equilíbrio que, a julgar pela fala do ministro, não comporta o corte proposto.