A eleição presidencial brasileira ganhou destaque na imprensa internacional. Em artigo publicado na quarta-feira (21.out.2026), a revista norte-americana The New Yorker descreveu a disputa como “a última dança” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o jornalista Ishaan Tharoor, autor da análise, uma derrota para Flávio Bolsonaro (PL) no 2º turno pode encerrar a trajetória política do petista e ampliar o avanço da direita na América Latina.

Desafios na busca pelo 4º mandato

O texto, intitulado Lula’s Last Dance (“A última dança de Lula”, em tradução livre), examina os obstáculos enfrentados pelo presidente na tentativa de conquistar um 4º mandato. A publicação ressalta o desempenho do 1º turno, realizado em 4 de outubro, quando Lula terminou cerca de 1,87 ponto percentual atrás de Flávio. O crescimento de candidatos e partidos de direita nas disputas legislativas e estaduais também aparece como sinal do momento político.

Ondas de direita e influência de Trump

Tharoor conecta o quadro brasileiro às transformações políticas na América Latina e à atuação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano). De acordo com ele, caso Flávio vença, o Brasil passará a integrar o grupo de países da região que migraram para governos de direita nos últimos 2 anos, em sintonia com a visão da Casa Branca para o continente.

Desgaste junto ao eleitorado

A matéria observa que o presidente encontra dificuldades para mobilizar parte do eleitorado, mesmo com indicadores econômicos positivos — entre eles, a menor taxa de desemprego registrada desde 2012. O custo de vida, a preocupação com a segurança pública e o pessimismo quanto aos rumos do país são apontados como fatores que fragilizam o mandatário.

Na avaliação do jornalista, a política enraizada nos sindicatos e nos movimentos trabalhistas — marca da trajetória de Lula desde as décadas de 1970 e 1980 — perdeu espaço em um Brasil transformado pela economia de trabalhos temporários e pelos aplicativos.

Política externa em xeque

De acordo com a revista, uma derrota do petista poderia alterar a política externa brasileira. Flávio já sinalizou alinhamento com pautas da direita internacional e pretende buscar a libertação do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos de prisão por envolvimento em uma trama golpista.

Tharoor pondera, porém, que uma guinada radical de orientação encontraria limites em um eventual governo Flávio. A China é o principal parceiro comercial do Brasil, e o agronegócio nacional depende do mercado chinês. O artigo acrescenta que uma vitória de Flávio não significaria, necessariamente, apoio popular a todas as propostas da direita, mas poderia representar uma rejeição ao governo Lula.