Planalto desconfia de apoio de Flávio Bolsonaro à PEC da escala 6×1
A equipe do governo Lula recebeu com desconfiança a declaração de apoio do senador Flávio Bolsonaro à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da escala 6×1. Na avaliação de integrantes do Executivo, a chamada conversão do parlamentar não representa uma adesão verdadeira à pauta trabalhista.
O alerta do governo é de que a movimentação do senador, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, pode servir de instrumento para interferir no conteúdo da proposta. Segundo essa leitura, eventuais alterações no texto poderiam desvirtuar o objetivo original da medida e produzir mudanças que beneficiariam apenas os empresários, em vez de ampliar direitos dos trabalhadores.
O que está em discussão
A escala 6×1 é o regime em que o trabalhador cumpre seis dias consecutivos de jornada e descansa apenas um. A PEC em tramitação no Congresso Nacional propõe o fim desse modelo, com o objetivo de reduzir a carga semanal de trabalho e ampliar o período de descanso. A pauta se tornou um dos temas mais comentados do debate trabalhista no país.
Para o governo, no entanto, o apoio declarado por Flávio Bolsonaro não garante que o texto original será preservado ao longo da tramitação. A preocupação é de que o debate no Congresso seja usado para abrir espaço a alterações que esvaziem o alcance da proposta e desloquem o foco do trabalhador para o empregador.
Conversão sob suspeita
O termo conversão foi empregado pela própria equipe de Lula para descrever a postura do senador — e, em seguida, contestado. Para auxiliares do Planalto, a adesão de um político da oposição a uma bandeira ligada aos direitos trabalhistas soa como estratégia de comunicação, e não como compromisso real com a aprovação da medida na forma atual.
Com isso, o governo busca separar duas questões: o mérito do fim da escala 6×1, tema acompanhado pelo Executivo, e a intenção por trás do apoio do senador. A leitura do Planalto é de que a manifestação de Flávio Bolsonaro não corresponde a um compromisso efetivo com a proposta.
Embate deve seguir no Congresso
O destino da PEC ainda depende de articulação no Congresso Nacional. O governo acompanha as tratativas e mantém o alerta: qualquer mudança no texto que favoreça exclusivamente o lado empresarial será interpretada como desvirtuamento da proposta original. O embate em torno da matéria deve continuar, com o Executivo atento às movimentações dos parlamentares que se declaram favoráveis à medida.
