A primeira rodada da pesquisa Quaest para o 2º turno, divulgada em parceria com a Globo, traça um cenário de equilíbrio: Flávio Bolsonaro e Lula aparecem empatados dentro da margem de erro. O levantamento chama atenção ainda para um grupo que pode pesar na definição do resultado: o eleitor que ficou em casa no 1º turno.
De acordo com o estudo, quem optou por não comparecer às urnas na primeira volta pode decidir a eleição. A conclusão ganha relevância justamente pelo quadro desenhado na intenção de voto: com os dois candidatos tecnicamente empatados, pequenos deslocamentos são capazes de alterar o desfecho da disputa.
O que significa o empate técnico
O chamado empate técnico ocorre quando a diferença entre os concorrentes fica dentro da margem de erro do levantamento. Em outras palavras, estatisticamente não é possível afirmar qual dos dois está à frente. Na prática, o dado indica que a disputa começa sem favorito claro e que o resultado dependerá do desempenho de cada campanha na reta final.
É nesse contexto que os ausentes do 1º turno ganham protagonismo. O contingente de eleitores que não votaram na primeira volta pode ser maior do que a própria diferença entre os candidatos. Assim, a decisão desse público de comparecer, ou de novamente se abster, no dia do 2º turno tem potencial para inclinar a balança em qualquer direção.
Para as duas campanhas, o retrato inicial reforça a centralidade da mobilização. Com o placar equilibrado, convencer o eleitor que ficou de fora a ir às urnas pode valer tanto quanto disputar o voto do adversário. Cada voto vindo das casas vazias do 1º turno adquire peso extra em um cenário de equilíbrio.
O levantamento é apresentado como primeira rodada da Quaest no 2º turno, o que sinaliza que novas medições devem acompanhar a fase final da campanha. As próximas ondas da pesquisa permitirão verificar se o empate se sustenta, se algum dos candidatos abre vantagem e se o eleitorado que faltou no 1º turno demonstra maior disposição de participar da decisão.
Até lá, o retrato da Globo/Quaest deixa uma mensagem direta: o 2º turno não será decidido apenas por quem já escolheu um candidato, mas também por quem, até aqui, preferiu ficar fora das urnas.
