Entre declarações de apoio e participações pontuais em eventos de campanha, o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), adota postura discreta na mobilização pela candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
A conduta chama atenção sobretudo depois que o presidente Lula (PT) recomendou que o mineiro ficasse “quietinho” neste segundo turno — recado interpretado como ameaça por aliados do governador eleito. A expectativa do grupo de Flávio era que Cleitinho atuasse como cabo eleitoral do PL no estado.
Recado de Lula
No dia 16, ao final de uma caminhada com apoiadores em Juiz de Fora (MG), Lula afirmou que Minas se tornaria um “cemitério de obras paralisadas” sob um eventual governo Flávio e disse que Cleitinho teria mais a ganhar caso ele próprio vencesse a eleição nacional.
“Eu tenho certeza que o Cleitinho é esperto. Ele não precisa me apoiar, ele só tem que ficar quietinho”, declarou o candidato à reeleição.
O recado foi repercutido como forma de intimidação por aliados do governador eleito e por políticos alinhados ao bolsonarismo no estado. Gleidson Azevedo (Republicanos), irmão de Cleitinho e deputado federal eleito, chegou a publicar um vídeo em que chama o presidente de covarde e ditador. “A melhor resposta que a gente tem que dar pro Lula é ir em massa nas urnas e eleger o Flávio”, afirmou.
Resposta comedida, discurso enérgico
Cleitinho também respondeu ao presidente, mas preferiu não endossar a narrativa de coação. Optou pelo termo “polêmica” e reafirmou o apoio a Flávio — posicionamento mantido publicamente desde antes do primeiro turno, quando o empresário Flávio Roscoe representou o PL no estado.
“Estou fazendo isso porque sou de direita e por gratidão ao Jair Messias Bolsonaro, que me apoiou na minha eleição do Senado”, disse o governador eleito em vídeo publicado.
A justificativa comedida nas redes, feita em parceria com o perfil de Flávio, contrasta com o tom de um discurso de Cleitinho em encontro de lideranças da direita em Belo Horizonte, na terça-feira (20). Ele conclamou prefeitos, deputados, vereadores e empresários a um esforço coletivo pela virada de votos.
“[Se] eu falar para pedir votos aqui, eu estou pregando pra convertido”, disse. “Vocês têm que sair daqui com o intuito de pedir voto pra quem ainda não decidiu, porque a eleição ainda não está ganha.”
Agenda discreta e transição
A posição foi reiterada na noite desta quinta-feira (22), durante edição do Bloco do 22 em Divinópolis (MG), cidade natal do governador eleito, na região centro-oeste do estado. O evento reuniu nomes do conservadorismo mineiro, como o senador eleito Domingos Sávio (PL), os irmãos Gleidson e Eduardo Azevedo (PL) e Bruno Engler (PL) — os dois últimos reeleitos deputados estaduais neste ano.
Cleitinho desceu do trio elétrico e caminhou com apoiadores de Flávio pelo centro da cidade, mas, diferentemente dos demais políticos presentes, não divulgou a participação em suas próprias redes.
Ele já havia faltado a um bloco com Flávio no dia 15, em Capelinha (MG), no Vale do Jequitinhonha, por recomendação médica de repouso, após diagnóstico de pico de pressão arterial e frequência cardíaca levemente elevada. Ele confirmou presença no ato deste sábado, em Belo Horizonte, penúltimo compromisso público de Flávio antes do encerramento da campanha, no Rio de Janeiro.
Eleito no primeiro turno com 55,4% dos votos válidos, Cleitinho acompanha nas últimas semanas a transição de governo, cuja coordenação ficou a cargo do vice-governador eleito, Luís Eduardo Falcão (Republicanos).