A rede Stein Mart, varejista norte-americana fundada em 1908 no estado do Mississippi como uma modesta loja de família, encerrou mais de um século de operações. Em agosto de 2020, após 112 anos de atividade, a empresa recorreu à Justiça e deu início à liquidação definitiva dos estoques de suas 279 lojas espalhadas pelos Estados Unidos.

Como era o modelo de negócios

Com sede em Jacksonville, na Flórida, a companhia atuava no varejo de desconto, comercializando roupas de grife, calçados, itens de cama e artigos de decoração a preços inferiores aos das grandes lojas de departamento. O formato conquistava consumidores em busca de marcas reconhecidas em pontos comerciais de fácil acesso nos subúrbios.

Durante décadas de expansão, a rede chegou a manter quase 300 filiais em 30 estados, com concentração no sul e no sudeste do país. O catálogo unia vestuário masculino e feminino a produtos de giro rápido para o lar.

Por que a empresa pediu proteção judicial

Em 12 de agosto de 2020, a Stein Mart protocolou pedido de recuperação judicial com base no Capítulo 11 da legislação norte-americana. A decisão combinou a migração dos consumidores para o comércio eletrônico com a paralisação do varejo físico durante a pandemia.

Documentos registrados no Tribunal de Falências do Distrito Médio da Flórida apontavam graves problemas de liquidez para arcar com aluguéis e faturas de fornecedores. Meses antes do colapso, uma proposta de venda da empresa a um grupo de investimentos, que converteria o negócio em capital fechado, havia sido cancelada.

Quatro fatores aceleraram o fim das operações físicas: a queda brusca no fluxo de clientes durante as restrições sanitárias de 2020; a forte concorrência de gigantes do comércio eletrônico e de outras redes de desconto; o cancelamento do acordo de aquisição que traria capital privado no início do ano; e o custo elevado de manter 279 lojas abertas em 30 estados.

Como foi a liquidação dos estoques

Logo após o registro judicial, um consórcio especializado em reestruturação assumiu as vendas de encerramento. Os descontos iniciais em roupas, acessórios e artigos de casa variaram entre 10% e 40% e aumentaram progressivamente conforme o esvaziamento das prateleiras.

Além das mercadorias, o processo colocou à venda manequins, araras metálicas, balcões de atendimento e sistemas de iluminação das próprias filiais. Todas as unidades encerraram o atendimento ao público até o fim do segundo semestre de 2020.

Funcionários, clientes e o destino da marca

O fechamento das 279 unidades atingiu cerca de 8.000 funcionários de lojas, centros de distribuição e do escritório corporativo na Flórida. A fase final da queima de estoques estabeleceu vendas definitivas, com prazo restrito para o uso de cartões-presente e pontos de fidelidade.

Enquanto os imóveis foram devolvidos aos proprietários, a propriedade intelectual da marca foi leiloada no âmbito do processo. No fim de 2020, a Retail Ecommerce Ventures comprou os direitos do nome e do domínio digital por aproximadamente US$ 6 milhões, com planos de relançar a Stein Mart apenas na internet.

Impacto no setor

A saída da Stein Mart integrou uma onda de reestruturações que atingiu redes tradicionais norte-americanas em 2020. A liberação simultânea de quase 280 grandes espaços comerciais pressionou a vacância de centros de compras regionais em estados como Texas, Flórida e Califórnia.

Diferente de rivais maiores que renegociaram dívidas e preservaram parte das lojas, a companhia centenária optou pela liquidação integral. O espaço deixado no mercado foi absorvido por cadeias de desconto de maior porte, com reservas financeiras mais sólidas.

Importante: toda a trajetória da Stein Mart ocorreu exclusivamente nos Estados Unidos, sem filiais no Brasil. O Capítulo 11, no direito empresarial norte-americano, serve tanto para tentar salvar um negócio quanto para organizar a venda de estoques sob supervisão judicial.