Um grupo de cientistas sociais publicou nesta sexta-feira (23) um manifesto em defesa da candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição. Os signatários argumentam que uma eventual derrota do petista no segundo turno, marcado para o próximo domingo (25), representaria um risco concreto para a democracia brasileira.
A carta reúne dezenas de profissionais vinculados a universidades e centros de pesquisa de diferentes partes do país. O texto alerta para o que classifica como uma ameaça de regressão institucional.
Risco de retrocesso
“Vivemos hoje a paradoxal situação de que, após anos de lutas sociais envolvendo os mais diferentes grupos e classes sociais pela consolidação da democracia no Brasil, estejamos diante do perigo de um retrocesso autoritário e autocrático, pronto a mobilizar as instituições democráticas formais para a consecução explícita de fins antidemocráticos e mesmo para o fim da democracia”, afirma o documento.
Embora não mencione o nome do adversário de Lula no pleito, Flávio Bolsonaro (PL), os acadêmicos sustentam que a disputa vai além de uma simples escolha entre projetos distintos de país.
Disputa além de propostas
Segundo o manifesto, o segundo turno não opõe apenas candidaturas com visões divergentes. “No segundo turno das eleições presidenciais em curso, não se trata de candidaturas divergentes, mas de uma delas assumir explicitamente um programa autoritário que despreza acintosamente e de modo sistemático e propositivo as mais elementares práticas e valores da política democrática e mesmo dos direitos na sociedade brasileira”, diz o texto.
Os cientistas sociais também relativizam o valor do ato de votar isoladamente como expressão de compromisso democrático. Para eles, o exercício do direito ao voto, por si só, não é suficiente para caracterizar uma postura defensora da democracia.
Instituições não bastam
“A existência de instituições formalmente democráticas, por si só, não assegura a democratização das relações sociais, assim como a participação em processos eleitorais não constitui necessariamente uma adesão aos princípios democráticos”, apontam os signatários.
A carta se encerra com um apelo direto aos eleitores: “escolha a ciência, escolha a democracia”.
O manifesto se soma a uma série de manifestações públicas de setores acadêmicos ao longo da campanha, em um contexto de polarização que marca o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.