O presidente Lula (PT) entra na última semana de campanha do segundo turno tentando uma virada inédita na disputa presidencial. A estratégia combina atos de rua, mobilização intensa nas redes sociais e anúncios de medidas que beneficiam setores específicos do eleitorado, com o objetivo de elevar sua popularidade na reta final.

Lula terminou o primeiro turno atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e precisa recuperar fôlego nos cinco dias restantes de campanha. Nas pesquisas de intenção de voto, os dois aparecem tecnicamente empatados. A última pesquisa Datafolha apontou 49% dos votos válidos para o petista e 51% para o adversário, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Desde a redemocratização, nenhum candidato que saiu em segundo no primeiro turno venceu a eleição.

Agenda intensa e foco no debate

A agenda da campanha prevê visitas a até sete cidades nesta semana. Lula fez atos em Porto Alegre na segunda-feira (19), foi a São Luís, Petrolina (PE) e Juazeiro (BA) na terça (20) e a Belo Horizonte na quarta (21). O fechamento está previsto para o sábado (24), véspera da votação, com eventos no Rio de Janeiro e em São Paulo. A programação ainda não está totalmente confirmada.

O presidente reservará quinta (22) e sexta-feira (23) para se preparar para o debate da Globo, marcado para dois dias antes do pleito. Aliados avaliam que aparições em rede nacional já não têm o mesmo impacto do passado, devido à queda nas audiências, mas consideram que, em uma disputa acirrada, um bom desempenho pode ser decisivo.

No debate, Lula deve cobrar de Flávio uma explicação sobre como pretende executar o “tesouraço” prometido nas despesas públicas sem cortar programas sociais. A campanha petista sustenta que o adversário planeja reduzir o sistema de proteção social e tenta despertar no eleitorado o temor de perder benefícios. Aliados também insistem para que o presidente peça votos diretamente na televisão, já que há avaliação interna de que ele tem dificuldade de trocar o figurino de presidente pelo de candidato.

Anúncios que movem a campanha

Na última quinta-feira (15), Lula prometeu propor ao Congresso Nacional o passe livre no transporte público aos fins de semana, ideia que relacionou ao fim da escala 6×1, aprovada pelo Legislativo na sexta-feira (16) e usada como ativo de campanha. Na terça (13), propôs o perdão de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs) com o governo federal, projeto aprovado por Câmara e Senado na mesma semana e que agora aguarda sanção.

O presidente também intensificou medidas para conter os preços dos combustíveis e prometeu estender o programa Pé-de-Meia, voltado a estudantes do ensino médio, para o ensino superior. Antes do primeiro turno, já havia autorizado o reajuste do Bolsa Família.

Redes e clima interno

Atos pró-Lula ocorrem em diversas cidades, alguns de grande porte. Aliados atribuem o sucesso das mobilizações ao receio que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro provoca na esquerda e em parte dos eleitores de centro. Nas redes, destacam-se a atuação de candidatos eleitos mais jovens e o trabalho do deputado André Janones (Rede-MG) à frente do canal de WhatsApp “Exército do Lula”. Janones foi internado na segunda-feira (19) com arritmia cardíaca.

Lula reorganizou a equipe de campanha no segundo turno e adotou uma comunicação mais incisiva, buscando aumentar a rejeição ao adversário. O clima de derrota que tomou conta dos petistas após a primeira votação deu lugar a otimismo: mesmo os menos confiantes agora admitem que o presidente tem chances reais de reeleição. Ainda assim, setores do partido cobram um embate mais direto, como ocorreu após a entrevista ao Jornal Nacional, na quinta (15), quando Lula fez menos críticas ao candidato bolsonarista do que o esperado.