No debate da Band, realizado em 18 de outubro, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro afirmou que, se eleito, o SUS funcionará com “padrão Einstein”. A declaração foi feita momentos depois de anunciar que o médico Claudio Lottenberg, ex-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, será seu ministro da Saúde.

Comparação com o setor financeiro

A associação entre a nomeação de Lottenberg e a promessa de generalizar o padrão do Einstein ao SUS foi comparada, em análises publicadas pela imprensa, a prometer prosperidade “padrão BTG” a todos os brasileiros caso o banqueiro André Esteves, cujo patrimônio é estimado em R$ 66 bilhões, assumisse o Ministério da Fazenda.

O Hospital Einstein foi construído com bilhões de reais investidos pela comunidade israelita de São Paulo e seu padrão de atendimento é acessível apenas aos planos de saúde mais caros do mercado. Para compensar os incentivos fiscais concedidos a entidades filantrópicas, a instituição presta alguns serviços assistenciais de alta qualidade, mas sem qualquer relação com a generalização desse nível de atendimento para toda a população.

Desafio do financiamento

Especialistas e analistas apontam que o principal gargalo do SUS é o financiamento. Durante a pandemia de Covid-19, quando os planos privados de saúde tentaram não cobrir os custos de testes e vacinas, o sistema público imunizou gratuitamente dezenas de milhões de pessoas.

Há ainda a suspeita de que a proposta poderia significar a transferência para a rede privada de procedimentos de alta complexidade e de alta remuneração, com o sucateamento do restante do sistema.

Cenário eleitoral

A declaração ocorre no contexto do segundo turno das eleições de 2026. Segundo pesquisa Datafolha, Flávio Bolsonaro aparece com 51% das intenções de voto válidas, contra 49% do presidente Lula, resultado dentro da margem de empate técnico.

O debate da Band teve poucos momentos de alto nível. Um dos episódios mais comentados foi a recriação, por Flávio, da grosseria de Donald Trump no segundo debate de 2016: o candidato se posicionou atrás de Lula, balançou o corpo e fez caretas enquanto o adversário falava, repetindo a cena até esgotar o truque. A coreografia rendeu atrito entre a equipe de Lula e os organizadores do evento, mas o momento já havia sido registrado.

A expectativa é de que a próxima entrevista conjunta, marcada para a Globo na sexta-feira, tenha regras mais rígidas que impeçam esse tipo de interrupção. Ainda assim, observadores lembram que nenhuma emissora consegue impedir que um candidato faça promessas consideradas inverídicas durante a campanha.