Um levantamento divulgado nesta quarta-feira (30) aponta que mais da metade das propostas de saúde apresentadas pelos candidatos à Presidência da República corresponde a programas que já existem no Sistema Único de Saúde (SUS). A análise considerou os planos dos seis candidatos com 2% ou mais de intenção de voto.
O estudo foi elaborado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) e pela Umane, duas organizações sem fins lucrativos que acompanham as políticas da rede pública de saúde. Ao todo, foram avaliadas 95 propostas dos presidenciáveis.
Segundo o boletim, 95% dos projetos exigiriam recursos adicionais para serem colocados em prática. Além disso, 56% das propostas correspondem a um programa que já existe, “ainda que boa parte dos planos as apresente como novidade”, aponta o documento. Ou seja, mais da metade das medidas apresentadas pelos candidatos já integra a estrutura atual da saúde pública brasileira.
“Existe proposta de usar o CPF como identificador no SUS, o que já está regulamentado desde 2025. Os planos demonstram um sério desconhecimento sobre as políticas de saúde já implementadas ou em curso”, explica Julia Pereira, gerente de relações institucionais do IEPS.
Alerta sobre o orçamento
O financiamento do setor é um dos pontos de atenção do levantamento.
“O orçamento para a Saúde já é insuficiente e o cenário pode ficar ainda mais complexo com propostas que demandam mais recursos. Nesse cenário, ainda existem candidatos que defendem o fim do piso da saúde ou discursam sobre cortes para o setor”, afirma Julia Pereira.
Execução e articulação federativa
O estudo identificou ainda que 83% das propostas dependem de coordenação com estados e municípios para serem implementadas.
Outro ponto destacado é que 47% das medidas não detalham como seriam executadas, “apresentando apenas uma intenção genérica”, sem indicação de fonte de financiamento, conforme o boletim.
No conjunto, o diagnóstico do IEPS e da Umane indica que a maior parte das propostas dos presidenciáveis demandaria mais recursos, articulação com outros entes da Federação e definição mais clara de execução.