A vitória expressiva de candidatos da direita no primeiro turno das eleições deixou, ao menos por ora, sem sustentação os questionamentos sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas. A leitura é do editor de política de VEJA José Benedito da Silva, que participou do programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal. Para ele, contudo, o discurso pode ser retomado caso o presidente Lula vença o senador Flávio Bolsonaro na etapa final da disputa.

Primeiro turno esvaziou as suspeitas

Segundo o editor, o resultado criou uma contradição para quem duvida do sistema eleitoral. “A direita não tem do que reclamar de urna eletrônica”, afirmou. Na avaliação dele, foram justamente os equipamentos alvo de desconfiança nos últimos anos os responsáveis por uma eleição em que nomes alinhados à direita se destacaram em diferentes disputas.

“As teorias sem sentido, conspiratórias, sobre a urna eletrônica não fazem agora mais o menor sentido”, declarou José Benedito, ao lembrar que a direita venceu de forma ampla tanto na corrida presidencial quanto em outras candidaturas. “A direita passou o trator, deu um grande baile nas urnas”, completou.

Durante o programa, Marcela Rahal ressaltou ainda a agilidade da apuração brasileira. Ao comentar publicação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que elogiou a velocidade da contagem dos votos no país, ela classificou o sistema eleitoral como rápido, eficiente e seguro.

O que pode mudar no segundo turno

Para o editor, o debate sobre as urnas tende a reaparecer se o resultado da etapa final contrariar o desempenho visto na primeira rodada. Como hipótese, ele citou uma eventual vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro.

Nesse cenário, o argumento usado para alimentar novas teorias conspiratórias seria justamente a força demonstrada pela direita no primeiro turno. “Quantas teorias da conspiração vão surgir falando o seguinte: ‘Mas a direita deu um banho no primeiro turno, a direita foi avassaladora. A população mostrou fortemente no primeiro turno que pendia à direita. Como que o Lula ganhou no segundo turno?’”, questionou.

Na visão de José Benedito, narrativas desse tipo conseguem se adaptar a qualquer desfecho eleitoral, encontrando justificativas novas mesmo quando os fatos anteriores desmentem suas premissas. “Para a conspiração, sempre cabe, porque há espaço e qualquer coisa pode ser motivo”, disse.

O editor ressaltou, porém, que se tratava apenas de uma hipótese sobre o que poderia ocorrer após a votação. Para ele, será necessário acompanhar a campanha e o resultado do segundo turno antes de avaliar como os diferentes grupos políticos vão reagir. “Vamos continuar conduzindo essa eleição na ponta dos dedos até o final. Eu, por enquanto, quero ver qual vai ser o desfecho”, afirmou.