A três dias do segundo turno das eleições de 2026, 46% dos eleitores afirmam que não votariam de forma alguma em Flávio Bolsonaro (PL), enquanto 45% declaram o mesmo sobre o presidente Lula (PT). Os dados são da nova rodada da pesquisa Datafolha.

Há duas semanas, os percentuais eram de 46% e 43%, respectivamente. O presidente manteve a mesma taxa na rodada seguinte, e o senador oscilou para 44% — variação dentro da margem de erro de dois pontos, para mais ou para menos. Quando somados também os eleitores que não votam em nenhum dos dois, a rejeição aos candidatos fica empatada em 48%.

Polarização consolidada

Ao longo de todo o primeiro turno, os rivais alternaram posições de forma eventual. A polarização, que ganhou contornos definitivos no pleito de 2018 — vencido por Jair Bolsonaro, pai de Flávio —, se consolidou, e não houve espaço para terceiras vias: todos os demais candidatos somaram 7,81% dos votos válidos na primeira rodada.

Augusto Cury (Avante), terceiro colocado, com 2,89% dos válidos, declarou voto no senador, assim como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).

Debate marcado por agressividade

No segundo turno, o clima de confronto escalou na propaganda eleitoral gratuita, repleta de ataques mútuos, e atingiu o ápice no primeiro debate de TV entre os dois, realizado no domingo (18) na Band. O evento foi criticado por observadores como excessivamente agressivo, marcado pela insistência de Flávio em não responder às perguntas e em acossar fisicamente Lula no palco — tática semelhante à usada pelo americano Donald Trump contra a democrata Hillary Clinton, em 2016, quando a derrotou.

Segundo analistas políticos, a troca de acusações e a ausência de debate de propostas ajudam a sustentar os números de rejeição, mas têm dificuldade de atrair os poucos eleitores indecisos ou pendulares, que tendem a se afastar do lado mais agressivo.

O Datafolha ouviu 2.520 eleitores entre terça (20) e quinta (22). O levantamento foi encomendado pela Folha e pela TV Globo e registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-09709/2026.

Avaliação do governo

A pesquisa mostra ainda que 39% dos eleitores avaliam negativamente o governo Lula, enquanto 36% consideram a gestão boa ou ótima — empate técnico dentro da margem de erro. Outros 24% classificam a gestão como regular. Sobre a imagem pessoal do presidente, 49% aprovam e 48% desaprovam, também uma igualdade estatística. Os índices ficaram estáveis em relação à rodada anterior.

O petista enfrenta os piores índices de avaliação entre seus três mandatos no Planalto.

Benefícios e cenário fiscal

Com a ascensão de Flávio no fim da campanha do primeiro turno, o presidente acelerou a liberação de medidas de benefício eleitoral. Segundo cálculo feito pela Folha, elas já somam quase R$ 290 bilhões de impacto neste ano e em 2027, pressionando a frágil situação fiscal do país.

Só no segundo turno, Lula anunciou ampliação de programa para estudantes, antecipou parcelas do recém-reajustado Bolsa Família, divulgou pacote para microempreendedores individuais e zerou as contribuições federais sobre combustíveis. No campo político, obteve vitória relevante com a aprovação, na semana passada, da mudança constitucional que trocou a escala 6×1 pela 5×2 em dias trabalhados — tema controverso diante das particularidades de diversos setores, mas amplamente aprovado pela população.

O confronto no debate pode afastar parte dos eleitores que veem o governo como regular, grupo que, em certa medida, pode reunir indecisos no dia da votação, em um pleito que deve ser decidido nos detalhes.