Carta aberta critica candidatura no 2º turno

Bispos e arcebispos da Igreja Católica divulgaram na quinta-feira (22.out.2026) uma carta aberta “ao povo de Deus” sobre o 2º turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25.out). Embora não citem o nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), os autores afirmam que a candidatura dele “ameaça frontalmente a existência da democracia, a soberania nacional e a prática do bem comum”.

Principais críticas

O documento lista as principais objeções ao candidato. Segundo os bispos, Flávio “sempre foi contra o fim da escala 6 X 1”, “promete submissão do Brasil aos Estados Unidos” e “promete liberar o acesso amplo às armas, como fez o seu pai em seu governo”. A carta também afirma que o senador “não reconhece a crise climática e nega os problemas ecológicos”.

Sem citar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o texto diz que a outra candidatura, “embora sujeita a críticas, sempre manifestou responsabilidade com os pobres e com a Casa Comum e atuou dentro dos limites da ordem democrática, respeitando a Constituição”.

Os bispos ainda afirmam que os Bolsonaros são favoráveis à tortura e fizeram “homenagens a um dos maiores torturadores da ditadura brasileira, o general Brilhante Ustra, que matou muitas pessoas”.

Adesões seguem abertas

Até as 6h20 (horário de Brasília) desta sexta-feira (23.out), 47 bispos e arcebispos de diferentes regiões do país assinavam o manifesto, que segue aberto a novas adesões.

Base doutrinária do manifesto

Os prelados se declaram bispos “de diversas dioceses do Brasil em comunhão com a CNBB”, alinhados à Mensagem do Conselho Permanente ao Povo Brasileiro, de 21/10/2026. Para justificar o posicionamento, citam a encíclica Magnifica Humanitas, do papa Leão XIV, segundo a qual há situações em que “não é justo permanecer neutros”.

Para os signatários, o cenário eleitoral “exige tomar posição em nome do Santo Evangelho e da Doutrina Social da Igreja” (DSI). Os bispos destacam que “é preciso votar” e avaliam que o momento representa “a possibilidade de uma mudança profunda nos rumos da nação, cujos exemplos na história do século XX deixaram cruéis e amargas lembranças”.

Sobre o trabalho, o manifesto defende que as transformações tecnológicas devem ser avaliadas pela dignidade do trabalhador e pelo direito a remuneração suficiente, em crítica à proposta de pagar salário por hora trabalhada. No campo da soberania, os autores mencionam a participação em “uma conspiração para taxar produtos brasileiros”, a defesa da intervenção estrangeira nas eleições e a promessa de entregar terras raras à exploração dos EUA.

A carta também invoca a exortação Dilexi Te, sobre o amor aos pobres, para apontar que o partido do candidato sempre foi “publicamente contrário aos programas sociais e de combate à pobreza”, mesmo que ele agora diga que manterá alguns programas. Já no tema ambiental, os bispos citam a encíclica Laudato si’ e a chamada “Lei da Devastação” (nº 15.190), associada às políticas do governo do pai do candidato e à atuação de seu partido no Congresso.