Os bens declarados pelos candidatos à Presidência em 2026 voltaram ao centro do debate após o presidente Lula (PT) desafiar o senador Flávio Bolsonaro (PL), no domingo (18), durante o debate da Band, a liberar seus sigilos bancário, fiscal e telefônico.
Na proposta protocolada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na terça-feira (20), o mandatário se comprometeu a abrir seus sigilos e os de sua família — incluindo a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja; os cinco filhos, entre eles Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha; e os netos maiores de 18 anos — desde que o adversário fizesse o mesmo consigo e com seus familiares.
Inicialmente, a campanha do filho de Jair Bolsonaro pretendia ignorar o desafio. Na quarta-feira (21), porém, o candidato do PL anunciou que aceitaria disponibilizar as informações, desde que o rival incluísse na quebra o ex-assessor Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola — contraproposta acatada pela equipe petista.
Nesta quinta-feira (22), Lula e Flávio assinaram um acordo de quebra mútua dos sigilos bancário, fiscal e telefônico, válidos também para seus familiares. As informações devem ser entregues até o fim do dia.
Aliados do presidente, no entanto, seguem desconfiados de que o senador cumprirá o acordo e afirmam que ele deixou de fora da quebra uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz, com a qual teria relação.
Bens declarados
Na autodeclaração exigida para o registro da candidatura na Justiça Eleitoral, Flávio Bolsonaro informou possuir R$ 8,18 milhões. Quando foi eleito ao Senado, em 2018, declarou R$ 1,74 milhão em valores nominais — R$ 2,64 milhões com correção pelo IPCA. É o maior patrimônio entre os candidatos da família Bolsonaro que disputaram as eleições de 2026, todos pelo PL.
Atrás dele aparecem Michelle Bolsonaro (R$ 4,5 milhões), eleita senadora pelo Distrito Federal; Carlos Bolsonaro (R$ 2,78 milhões), eleito senador por Santa Catarina; Rogéria Bolsonaro (R$ 790 mil), suplente da Câmara pelo Rio de Janeiro; Renato Bolsonaro (R$ 269 mil), eleito deputado federal por São Paulo; e Jair Renan Bolsonaro (R$ 187 mil), eleito deputado federal por Santa Catarina.
O crescimento do patrimônio do senador se explica pela aquisição de uma casa de R$ 6,2 milhões em um bairro nobre de Brasília. O restante é formado por investimentos em fundos, aplicações em CDBs (Certificados de Depósito Bancário) e poupança, saldos em contas bancárias, um veículo e participações societárias em empresas.
Segundo a campanha, o imóvel foi quitado com o salário de senador (R$ 46.366,19 brutos e R$ 33.912,13 líquidos, após descontos de Imposto de Renda e contribuição ao INSS), com a atividade de advocacia e com a renda da esposa, que mantém um consultório odontológico na capital federal.
Lula, por sua vez, declarou R$ 4,77 milhões ao registrar a candidatura. Em 2022, quando venceu Jair Bolsonaro na disputa pelo Planalto, informou R$ 7,42 milhões em valores nominais — R$ 8,9 milhões com correção pelo IPCA.
A declaração do petista inclui planos de previdência privada em VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) que somam R$ 3,3 milhões, R$ 94,5 mil correspondentes a 50% de um apartamento em São Bernardo do Campo (SP) e, no mesmo município, uma casa em construção, um terreno e partes de outras duas áreas. Há ainda um veículo, aplicações em CDBs e poupança e saldos bancários. A principal razão da queda patrimonial está nos VGBLs: em 2022, ele possuía R$ 5,5 milhões nesses planos.
A prestação de contas eleitoral não tem caráter fiscal, como no Imposto de Renda. Seu objetivo é garantir transparência, permitindo que os eleitores comparecem os valores informados à Justiça Eleitoral.