GOG, um dos nomes fundadores do movimento hip-hop no Brasil e reconhecido como Poeta do Rap Nacional, entrou no debate das eleições presidenciais com uma mensagem de convocação ao engajamento popular. Em declaração divulgada neste período de campanha, o artista afirmou que o dia 25 de outubro será uma oportunidade para o povo brasileiro se posicionar em defesa da democracia.

“Dia 25 de outubro, o povo brasileiro vai dizer sim à democracia e não ao viralatismo”, declarou GOG, utilizando uma expressão que se tornou recorrente no vocabulário político do país para criticar posturas de subserviência e renúncia à própria dignidade.

Disputa decisiva

Para o rapper, o momento político vivido pelo Brasil carrega um peso excepcional. Na avaliação dele, as eleições presidenciais em curso são possivelmente “a disputa mais importante dos últimos anos”. A declaração reforça o entendimento, compartilhado por diversos setores da sociedade, de que o pleito em questão define rumos fundamentais para o futuro do país.

A fala de GOG se soma ao histórico de participação de artistas da música negra brasileira nos debates públicos. Ao longo da carreira, o poeta construiu um repertório marcado pela reflexão sobre as realidades das periferias, pela denúncia de desigualdades e pela defesa de direitos, o que consolidou sua posição como uma das vozes mais respeitadas do rap nacional.

Hip-hop e engajamento político

A relação entre o hip-hop e a política é constitutiva do movimento no Brasil. Desde os primeiros eventos e rodas de cultura realizados em São Paulo a partir da década de 1980, o gênero se estabeleceu como canal de expressão de parcelas da população historicamente à margem dos espaços tradicionais de decisão. Nomes como o de GOG ajudaram a construir essa trajetória, levando aos palcos e aos discos questões sociais que raramente encontravam espaço em outros meios.

Com a declaração, o artista reafirma essa tradição de atuação. Ao convocar o público para se posicionar no dia 25 de outubro, GOG associa a escolha eleitoral a um pleito maior: o compromisso com o regime democrático e com a recusa do que classifica como viralatismo. A mensagem, direta e em linguagem popular, busca mobilizar eleitores — sobretudo os mais jovens, público historicamente conectado ao rap — para a importância do voto no cenário atual.

Resta saber o alcance prático do chamado, mas a intervenção de um dos pioneiros do gênero demonstra que o ambiente eleitoral segue mobilizando figuras de destaque da cultura brasileira, que enxergam no pleito um momento de definição coletiva.