Circula nas redes sociais uma gravação na qual o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) supostamente anuncia que, se eleito, cortará aposentadorias, pensões e o 13º salário. A publicação é falsa.

Como funciona a montagem

O vídeo ganhou repercussão no Instagram, no TikTok, no X e no WhatsApp ao menos desde a quarta-feira (7). Nas imagens, Flávio Bolsonaro aparece ao lado da esposa, Fernanda Bolsonaro, cercado por microfones, em entrevista a repórteres.

Na fala atribuída ao candidato, ele agradeceria uma “votação histórica” e anunciaria cortes na economia, começando pela retirada de pensões de aposentados. O texto inventado ainda afirma que “não é justo um idoso receber dois aposentos”, que o dinheiro das pensões iria para a gasolina e que haveria um “corte drástico” no 13º salário. O áudio também menciona o fim do programa Pé de Meia e uma análise do Bolsa Família, terminando com a frase “A vitória é nossa”.

Todas essas declarações são falsas. Segundo a checagem, os responsáveis pelo material utilizaram inteligência artificial (IA) para gerar um áudio sintético e sincronizá-lo com o movimento dos lábios do candidato.

Verificação técnica

Duas ferramentas de detecção de conteúdo fabricado por IA foram acionadas para analisar o vídeo, e ambas apontaram uso do recurso:

Hive Moderation: 83,1% de probabilidade de o áudio ter sido manipulado com IA.
Hiya/InVID: 99% de chances de o áudio ter sido gerado por IA, classificando o fragmento como “muito provavelmente gerado por IA”.

Procurada, a assessoria de imprensa de Flávio Bolsonaro classificou o material como uma “evidente montagem por IA” e uma “fake news eleitoral”.

Origem da cena verdadeira

A gravação que serviu de base para a versão manipulada é de uma entrevista concedida no domingo (4), em que o candidato afirmou estar “muito feliz” com o resultado do primeiro turno e declarou que o “Brasil quer mudança”.

Na fala real, o candidato disse: “Eu estou muito feliz, de verdade, com o resultado que nós tivemos aqui agora. São quase 56 milhões de brasileiros e brasileiras que deram esse voto de confiança para mudança. A palavra é mudança. O Brasil não aguenta mais”.

Ele também mencionou que institutos de pesquisa o colocavam atrás na corrida eleitoral, enquanto os levantamentos internos do próprio grupo apontavam chance real de vitória no primeiro turno, o que, segundo ele, “foi por muito pouco”. Ainda na declaração original, Flávio Bolsonaro afirmou ficar feliz com a quantidade de brasileiros que “foram às urnas” para se manifestarem e “não se omitiram, porque queriam essa mudança”.

Com 47,03% dos votos no primeiro turno, Flávio Bolsonaro disputa o segundo turno em 25 de outubro contra Lula, que obteve 45,16% dos votos válidos.