Uma fundação presidida pelo bolsonarista Paulo Figueiredo contratou, nos Estados Unidos, uma empresa especializada em lobby para atuar junto ao governo de Donald Trump. De acordo com as informações disponíveis, já foram pagos US$ 80 mil pelo serviço, o que equivale a cerca de R$ 400 mil.
O objetivo do contrato é influenciar a relação dos EUA com o Brasil — isto é, buscar interferir, por meio de articulação paga, na forma como o governo americano trata as pautas que envolvem o país.
Como funciona o lobby nos Estados Unidos
Nos EUA, o lobby é uma atividade legal, comum e regulamentada. Empresas especializadas nesse tipo de serviço são contratadas para abrir portas, agendar reuniões e defender interesses junto a parlamentares, assessores e membros do Executivo.
A prática não é exclusividade de governos: empresas, organizações e grupos políticos também recorrem ao mecanismo para defender agendas específicas em Washington. Quando o trabalho é prestado em favor de interesses estrangeiros, a legislação americana exige, em regra, o registro do agente junto ao Departamento de Justiça, na forma da chamada Foreign Agents Registration Act (FARA), norma que busca dar transparência sobre quem atua, para quem e com quais finalidades.
Pagamento já realizado
Do acordo firmado, a parcela já desembolsada soma US$ 80 mil, cerca de R$ 400 mil. O valor corresponde ao que foi pago até o momento à empresa responsável pela articulação junto ao governo Trump.
Quem é Paulo Figueiredo
Neto do ex-presidente João Figueiredo, Paulo Figueiredo é uma das vozes mais ativas do bolsonarismo, com presença marcante nas redes sociais e posições alinhadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele preside a fundação que firmou o acordo com a empresa de lobby norte-americana.
O que o caso revela
A contratação chama atenção porque envolve uma iniciativa privada, ligada a um grupo político brasileiro, para tentar influenciar a postura do governo dos Estados Unidos em relação ao Brasil. O episódio ocorre em um cenário de grande atenção sobre os rumos das relações entre os dois países.
As informações disponíveis até o momento não detalham pontos como o nome da empresa contratada, o prazo do acordo e quais pautas específicas devem ser objeto da atuação junto ao governo americano.
