Acordo movimenta sucessão no governo de São Paulo
Ao articular o apoio do MDB à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), ampliou sua teia de alianças para se viabilizar como sucessor do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na eleição de 2030.
O anúncio foi feito nesta terça-feira (13). Na ocasião, o prefeito e o senador trocaram declarações de apreço. Antes do discurso de Flávio, Nunes afirmou que “aprendeu a gostar demais desse cara”, ao apontar para o presidenciável.
Aproximação após desgaste com bolsonaristas
A sintonia entre os dois cresceu ao longo da atual campanha, depois que Nunes chegou a ser ignorado por parte do grupo bolsonarista durante a disputa pela reeleição à prefeitura, em 2024.
No evento do MDB, Flávio reconheceu que o prefeito foi alvo de questionamentos de correligionários, mas o descreveu como um político inteligente e disse que ele “calou a boca com o trabalho”. O senador afirmou ainda que Nunes o tem socorrido nos momentos mais difíceis desde a pré-campanha deste ano.
Nos bastidores, a articulação contou com a atuação de Nunes e de Tarcísio, que procuraram o presidente do MDB, Baleia Rossi, para pressioná-lo pela formalização do apoio.
Decisão construída nos diretórios
A escolha do partido foi consolidada depois que 17 dos 27 diretórios estaduais se manifestaram a favor de Flávio. Baleia Rossi nega ter pedido algo em troca do endosso.
A expectativa, no entanto, é que a legenda ganhe espaço em um eventual governo Flávio, caso ele vença a disputa, ou no segundo mandato de Tarcísio. O vice-governador Felício Ramuth filiou-se ao MDB em março.
Aceno aos emedebistas
Flávio também fez um gesto de aproximação com o MDB ao afirmar que os governos de Michel Temer e de Jair Bolsonaro tiveram bons quadros do partido.
Como exemplo, o presidenciável citou Wagner Rosário, indicado por Temer ao governo Bolsonaro, que foi ministro-chefe da Controladoria-Geral da União entre 2017 e 2022 e hoje é conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP).
Com o movimento, Nunes reforça o projeto de concorrer ao Palácio dos Bandeirantes em 2030, agora sustentado por uma frente que reúne o apoio do PL e do MDB.
