Renato Meirelles, autor de livro dedicado ao tema, afirma que a frustração da classe C alimentou o avanço da extrema direita no Brasil. A obra propõe uma leitura do país a partir desse segmento da população.

A tese da frustração

“Classe C é a cara do Brasil”, resume o autor. A frase sintetiza a visão de Meirelles sobre o grupo: um segmento que, na avaliação dele, retrata o cotidiano, os anseios e também as insatisfações de ampla parcela da população brasileira.

A frustração, por definição, nasce do desencontro entre aquilo que se espera e aquilo que se conquista. É nesse terreno que a argumentação do livro se apoia: Meirelles parte do descontentamento da classe C para explicar a força alcançada pela extrema direita no país.

Segundo essa leitura, o descontentamento do segmento encontrou na extrema direita um canal de expressão. Em outras palavras, o mesmo grupo que, na definição do autor, simboliza o Brasil teria alimentado o crescimento desse campo político.

Centralidade do segmento

Ao definir a classe C como “a cara do Brasil”, Meirelles destaca a representatividade do grupo. A expressão sugere que o segmento funciona como um retrato do país: de sua rotina, de suas dificuldades e de suas aspirações.

É essa dimensão que dá peso à tese. Se a classe C é, na visão do autor, uma síntese do Brasil, o humor político desse contingente tende a repercutir no conjunto do país. A frustração, nesse quadro, deixa de ser um detalhe e passa a ocupar posição central na explicação para o cenário político.

Um debate em aberto

Ao conectar o descontentamento do segmento ao avanço da extrema direita, o autor acrescenta um elemento à discussão sobre o comportamento eleitoral brasileiro: o peso das expectativas frustradas. A análise integra a obra dedicada ao tema e se soma às interpretações sobre os rumos políticos do país.

Ao colocar a classe C no centro da conversa sobre o presente político do Brasil, o livro convida o debate público a aprofundar ou contestar essa leitura. O fato de o segmento ser descrito como a cara do país, segundo Meirelles, reforça a relevância do tema.