A apuração das eleições de 2026 chegou ao fim com um cenário de crescimento da presença feminina no Congresso Nacional, embora com desigualdades acentuadas entre as unidades da federação. O Mato Grosso do Sul se destacou ao eleger mulheres em metade das vagas em disputa para a Câmara dos Deputados, enquanto Piauí, Distrito Federal e Roraima não tiveram nenhuma candidata eleita ao cargo de deputada federal.

Bancada feminina recorde na Câmara

No total, 109 mulheres conquistarão assentos na Câmara dos Deputados, que conta com 513 cadeiras. O número representa a maior bancada feminina da história da Casa, que passa a funcionar com essa composição a partir de 2027.

O Mato Grosso do Sul liderou o ranking nacional em termos proporcionais: das 8 vagas de deputado federal em disputa no estado, 4 serão ocupadas por mulheres. Ou seja, metade da delegação sul-mato-grossense na Câmara será feminina.

Em contrapartida, três unidades da federação não elegeram nenhuma representante para a Câmara Federal: Piauí, Distrito Federal e Roraima.

Senado também registra avanço

O Senado apresentou resultado semelhante. Foram 12 mulheres eleitas nas eleições de 2026, o maior número escolhido em uma única eleição para a Casa. Somando-se as senadoras eleitas em 2022, a Casa Alta contará com 17 integrantes do sexo feminino, o que também configura a maior bancada feminina de sua história.

O Distrito Federal teve desempenho distinto nos dois pleitos. Enquanto não elegeu deputadas federais, foi a única unidade da federação a escolher mulheres para as duas vagas de senador em disputa: Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas filiadas ao PL.

No extremo oposto, 16 estados não elegeram nenhuma mulher para o Senado em 2026.

Representação em expansão, mas desigual

Os números consolidam uma tendência de ampliação gradual da participação feminina no Legislativo federal. Ainda assim, os resultados evidenciam disparidades relevantes entre os estados: enquanto o Mato Grosso do Sul alcançou paridade nas vagas para a Câmara, outras unidades não elegeram nenhuma mulher para a Câmara ou para o Senado.

Com a nova composição, o Congresso Nacional que tomará posse em 2027 reunirá os maiores contingentes femininos já registrados nas duas Casas do Legislativo, marcando um capítulo inédito na história da representação política no Brasil.