Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) apontam o ministro Jorge Oliveira, do Tribunal de Contas da União (TCU), como o nome mais cotado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) caso o senador vença a eleição. Entre os aliados, a avaliação é de que o integrante da corte de contas tem um perfil ‘conciliador’.

A eventual indicação, contudo, só se concretiza se ele for vencedor do pleito. Oliveira figura entre os favoritos para ficar com uma das três vagas que Flávio terá o direito de indicar. Além delas, ainda há uma cadeira em aberto no tribunal.

Vínculo com a família Bolsonaro

Ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Oliveira mantém uma relação pessoal com a família Bolsonaro. Seu pai, Jorge Francisco, morto em 2018, foi assessor de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados durante 20 anos.

A proximidade é tamanha que, como revelou a coluna Painel, Oliveira era enviado por Bolsonaro à residência da viúva do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido pela Justiça como torturador na ditadura militar, para comprar exemplares do livro de memórias do coronel e depois distribuí-los.

Segundo um interlocutor de Flávio, no entanto, o episódio não faz de Oliveira um extremista.

Bom trânsito com o Judiciário

O ministro tem bom relacionamento com o STF, incluindo ministros como Gilmar Mendes e o próprio Alexandre de Moraes. Quando integrou o governo Bolsonaro, até 2020, uma de suas funções era justamente fazer a interlocução com o Judiciário.

Um exemplo citado de sua moderação é que ele, mesmo fazendo ressalvas, nunca votou contra a aprovação das contas de Lula pelo TCU.

Sucessão na corte de contas

Oliveira assumirá a presidência do TCU em 2027, obedecendo a um rodízio interno da casa. Caso seja indicado ao Supremo, o posto passará para o ex-senador Antonio Anastasia, que tem perfil considerado técnico pelos bolsonaristas.

Assim, não haveria receio, entre os aliados, de que o TCU se transformasse em um bunker contra o governo.