O presidente Lula (PT) escreveu uma carta destinada às famílias evangélicas brasileiras às vésperas do segundo turno das eleições de 2026. O documento, obtido pela Jovem Pan, chega após o primeiro turno, no qual o petista terminou com 45,16% dos votos válidos, atrás de Flávio Bolsonaro (PL), que registrou 47,03%.

No texto, o petista afirma que mantém em comum com os evangélicos o compromisso de cuidar das famílias brasileiras. “Somente lares fortes podem produzir uma nação forte!”, declara um dos trechos da mensagem.

Lula ainda sustenta que defende as famílias “com ações concretas, como tenho feito ao longo de toda a minha jornada política, e não com discursos vazios, como muitos outros fazem”. Segundo ele, “tenho absoluta certeza de que, se não fosse a boa mão de Deus, eu nem teria saído vivo das várias batalhas que enfrentei”.

“Não sou evangélico, mas tenho total respeito por quem é”, diz Lula

Na carta, o candidato do PT declara que não é evangélico, mas afirma ter “total respeito” por quem segue a religião, assim como por todas as crenças e profissões de fé. Ele cita orientação bíblica de “seguir a verdade em amor”, aprendida em diálogos com cristãos.

O presidente também rememora a própria trajetória pessoal. Ele conta que aprendeu dentro de casa o valor do trabalho, ao lado da mãe, Dona Lindu, com quem resistiu bravamente para criar uma família com sete irmãos. Para Lula, é dessa base familiar sólida que nasce sua história, que ele diz se encontrar com a “história de vida e de fé” das famílias evangélicas.

Ao longo da carta, o petista lembra que foi eleito presidente do Brasil por três vezes e agora disputa o quarto mandato, afirmando ter chegado até ali “com a proteção divina, orientado por um propósito e missão”.

Medidas do governo e apelo à oração

Entre as medidas do governo apresentadas como benéficas às famílias, Lula destaca o combate às apostas online, as bets, que, segundo ele, estão destruindo tantos lares, e o empenho para garantir dois dias de descanso semanal aos trabalhadores. O argumento é de que a vida não se resume ao trabalho e que mais tempo em casa fortalece os vínculos familiares — o que, para o povo evangélico, garante também mais tempo para estar na igreja “em comunhão com os irmãos e em adoração”.

O texto menciona ainda o compromisso com a proteção das mulheres, o combate a todos os tipos de violência e o enfrentamento do crime organizado “com inteligência”, prendendo bandidos, protegendo crianças e adolescentes e poupando vidas inocentes.

Lula afirma ainda estar comprometido com a melhoria da saúde pública, com o aumento real da renda e do poder de compra e com a preservação da natureza “criada por Deus”.

Na parte final, o candidato declara que, nas famílias evangélicas, “tudo se decide em oração” e conclama os eleitores a pedir discernimento a Deus para fazer a escolha na eleição. Ele pede que os fiéis vão às urnas “com a consciência livre e com a aliança renovada com o nosso amado Brasil”.

O presidente encerra a mensagem agradecendo a leitura, dizendo contar com as orações dos evangélicos e afirmando seguir olhando “firmemente para a esperança da vitória e de um Brasil mais justo, respeitoso e com oportunidades para todos”.