O Missão, partido liderado pelo candidato à Presidência Renan Santos, fechou sua primeira disputa como legenda oficialmente registrada com dois mandatos conquistados: a reeleição de Kim Kataguiri como deputado federal por São Paulo e uma cadeira na Assembleia Legislativa paulista, que ficará com Rafa Minato.
O resultado é modesto diante da estratégia de crescimento nacional adotada pela sigla, que lançou ao menos 502 candidatos nas eleições de 2026. Desse total, 316 disputaram a Câmara dos Deputados, 172 concorreram a Assembleias Legislativas ou à Câmara do Distrito Federal, nove tentaram governos estaduais e cinco buscaram uma vaga no Senado.
As candidaturas cobriram 25 estados e o Distrito Federal. O Sudeste concentrou a maior parte dos registros, com 185, seguido pelo Sul, com 123, pelo Nordeste, com 115, pelo Centro-Oeste, com 46, e pelo Norte, com 33.
Herdeiro do MBL
Criado a partir do Movimento Brasil Livre (MBL), grupo que ganhou projeção nacional ao mobilizar protestos pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016, o partido garantiu a reeleição de Kataguiri, integrante do núcleo que formou o movimento. O deputado deixou o União Brasil durante a janela partidária para disputar o novo mandato pela sigla.
Com cerca de 520 mil votos, Kataguiri foi o quarto candidato mais votado para a Câmara pelo estado de São Paulo, atrás de Lucas Pavanato (PL), que somou 3 milhões de votos, de Erika Hilton (PSOL), com 1,5 milhão, e de Sâmia Bomfim (PSOL), com 583 mil.
Minato, ex-subprefeito da Vila Mariana, na zona sul da capital paulista, ocupará a vaga do partido na Assembleia Legislativa de São Paulo.
Campanha digital e embates
Sem espaço no horário eleitoral, Renan Santos buscou engajamento dos eleitores pelas redes sociais. A necessidade de movimentar o ambiente online direcionou a campanha a ataques contra adversários, discurso radical e tumultos em debates.
No debate da Band, em agosto, o presidenciável exibiu fraldas geriátricas para protestar contra a ausência de Lula (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL), a quem chamou de medrosos.
Antes do debate da TV Globo, que acabou cancelado, o candidato recorreu à Justiça para tentar reverter a decisão da emissora de barrar sua participação. O Missão organizou ainda um protesto em frente à sede da rede de televisão, na zona sul do Rio de Janeiro, na última quinta-feira (1º).
Em uma live no domingo, ao comentar o resultado do primeiro turno, Renan afirmou que o Brasil será governado pelo “mais corrupto da família Bolsonaro” e avaliou que as eleições de 2026 foram “a mais estranha, mais exótica, é a pior que eu já vi”.
“É tão estranha que o Flávio Bolsonaro quase vence o primeiro turno sendo o Flávio Bolsonaro. Ou seja, ele foi muito superior ao pai, sendo ele próprio um nada em termos de carisma ou inteligência”, declarou.
