Os aliados do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), trabalham com a avaliação de que a disputa pela sucessão no comando da Casa ainda está longe de chegar a uma definição. A eleição está marcada para fevereiro do ano que vem, mas o tema já é pauta recorrente nos bastidores políticos de Brasília.

Embora a bancada da direita tenha crescido no Congresso, o grupo que sustenta Motta aposta em um cenário diverso: o Centrão deve agir em chave de autopreservação para manter seu espaço no poder e impedir que o bolsonarismo amplie sua influência sobre o Legislativo.

Aposta na autopreservação

Para o entorno do parlamentar paraibano, a lógica de sobrevivência política deve falar mais alto entre as legendas que compõem o bloco central da Casa. Na avaliação desses aliados, a sucessão não está selada e a articulação em torno da manutenção de Motta no comando da Câmara segue em construção. O movimento, segundo esse raciocínio, funcionaria como uma forma de blindar o Legislativo diante do avanço da ala ligada ao bolsonarismo.

Força construída longe do Executivo

Entre os nomes do Centrão, um argumento recorrente sustenta essa tese: nos últimos anos, o Congresso ganhou força justamente por não manter um alinhamento automático com o Poder Executivo. Foi essa postura de independência, lembram os parlamentares, que abriu caminho, por exemplo, para o avanço das emendas parlamentares, consolidadas como peça central da negociação entre Executivo e Legislativo.

Avanço da direita pesa contra o PL

Outro ponto explorado nas conversas é o crescimento da direita justamente sobre as cadeiras ocupadas por partidos do Centrão no Congresso. Diante desse deslocamento, as agremiações do bloco não teriam interesse em fortalecer ainda mais o PL. Na prática, esse cálculo reforça a leitura de que o Centrão tenderia a preservar a liderança atual da Casa, em vez de favorecer a ascensão da direita.

Enquanto a votação de fevereiro não se aproxima, os aliados do presidente seguem fazendo contas e mapeando cenários. A aposta do grupo é que o instinto de autopreservação do Centrão falará mais alto do que a força crescente da direita no momento do voto — uma disputa que, para eles, permanece completamente em aberto.