A bancada feminina do Senado vai crescer 80% em 2027 em relação ao início da legislatura atual. Neste domingo (4), os eleitores escolheram 12 senadoras, maior número já eleito para a Casa. O recorde anterior datava de 2002, quando oito mulheres conquistaram cadeiras.

A partir do ano que vem, 18 mulheres vão ocupar 22,2% das 81 cadeiras do Senado. No começo de 2023, a Casa contava com dez senadoras — quatro eleitas naquele pleito e seis remanescentes. Estavam em disputa 54 vagas, dois terços do total.

Mesmo com o avanço, a participação feminina segue distante da proporção de mulheres na população brasileira, que é de 51,5%.

Bancada 100% feminina no DF

O Distrito Federal vai formar a primeira bancada totalmente feminina da história do Senado. Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL) foram eleitas neste domingo e vão se juntar a Damares Alves (Republicanos), eleita em 2022, que tem mais quatro anos de mandato.

Avanço puxado pela direita

O crescimento da bancada foi puxado por candidatas de direita. Das 12 novas senadoras, sete são filiadas ao PL, Republicanos, Podemos, PSDB e União Brasil. Outras quatro são de legendas de esquerda: Marília Campos (PT-MG), Samanda de Lula (PT-RN), Marília Arraes (PDT-PE) e Luizianne (Rede-CE). Teresa Surita (MDB-RR) é a única eleita de partido de centro.

O PL lidera com três eleitas: Michelle e Kicis, no DF, e Caroline de Toni, em Santa Catarina. O PT emplacou duas: Marília Campos e Samanda de Lula, que derrotou a senadora Zenaide Maia (PSD-RN).

Renovação e derrotas

Em 2022, quatro mulheres haviam chegado ao Senado: Damares, Tereza Cristina (PP-MS), Teresa Leitão (PT-PE) e Professora Dorinha (União-TO). Duas outras assumiram mandatos por suplência e seguem na Casa por mais quatro anos: Lourdinha Pereira (PSB-MA) e Jussara Lima (PSD-PI). Atualmente, 15 mulheres exercem mandato no Senado.

Duas senadoras em exercício concorreram como suplentes neste ano. Daniella Ribeiro (PP-PB) integrava a chapa de Nabor Wanderley (Republicanos), que não se elegeu. Dra. Eudócia (PSDB-AL) disputou com Marina JHC (PSDB), esposa do governador eleito de Alagoas, JHC, que conquistou a vaga.

Além de Zenaide Maia, outras três senadoras que buscavam a reeleição foram derrotadas: Eliziane Gama (PT-MA), Soraya Thronicke (PSB-MS) e Leila Barros (PDT-DF), a Leila do Vôlei.

Outras duas candidataram-se a cargos diferentes. Mara Gabrilli (PSD) disputou a Assembleia Legislativa de São Paulo, e Roberta Acioly (Republicanos-RR) concorreu a deputada federal. Professora Dorinha lidera a corrida pelo governo do Tocantins; se eleita, será substituída pela suplente Professora Lu (União Brasil), mantendo o número de mulheres na Casa. Ivete da Silveira (MDB-SC) não disputou nenhum cargo e encerra o mandato em fevereiro de 2027.

Com esse cenário, apenas seis das senadoras atualmente em exercício continuarão na próxima legislatura.

Presença feminina tardia

A primeira senadora do Brasil foi Eunice Michiles (AM), que assumiu a cadeira em 1979, ainda durante a ditadura militar. Desde então, a participação feminina cresceu de forma gradual, mas sempre minoritária.

A desigualdade ficou evidente em 2016, quando foi inaugurado o primeiro banheiro feminino do plenário do Senado. Até então, as parlamentares usavam um lavatório no ‘cafezinho’, lanchonete ao lado do plenário. O prédio do Congresso foi inaugurado em 1960, sem nenhuma mulher na Casa.

No ranking de igualdade de gênero parlamentar da Inter-Parliamentary Union, o Brasil ocupa o 138º lugar, atrás de países como Bahrein (123º), Arábia Saudita (125º) e Somália e Burkina Faso (133º, empatadas). Na América do Sul, a média de participação feminina nos parlamentos é de 31,4%.