A Meta firmou um entendimento com Mark Zuckerberg que assegura a permanência do executivo na Califórnia por, no mínimo, oito anos. Em contrapartida, o fundador da empresa terá a possibilidade de receber ações sem direito a voto, que poderão ser vendidas para arcar com um eventual tributo sobre seu patrimônio — sem que isso afete seu domínio sobre a companhia.

A estratégia foi tornada pública nesta quarta-feira, 21, por meio de um documento encaminhado aos órgãos que regulam o mercado financeiro, acompanhando a divulgação dos resultados do trimestre. O plano estabelece a criação de uma nova classe de papéis sem poder de voto, dando a Zuckerberg a chance de converter parte de sua fortuna em dinheiro vivo sem diminuir sua fatia de comando na empresa.

O movimento acontece pouco antes da decisão dos californianos sobre a Proposta 40, que estabelece uma cobrança única de 5% sobre o patrimônio de bilionários que moravam no estado em 1º de janeiro de 2026. Se aprovada, 90% do dinheiro arrecadado deverá ser direcionado para a área de saúde.

Com um patrimônio avaliado em aproximadamente 240 bilhões de dólares, o CEO da Meta poderia ser obrigado a desembolsar uma quantia bilionária. De acordo com registros da própria companhia, o executivo avaliou até a hipótese de mudar seu domicílio principal para outro estado, justamente para escapar da cobrança.

A empresa explicou que, se precisasse vender ações com direito a voto para honrar o imposto, Zuckerberg poderia ver sua influência sobre as decisões da Meta diminuída. Ao encerrar 2025, ele possuía mais de 342 milhões de papéis da companhia e detinha cerca de 60% dos votos.

Com o novo arranjo, o bilionário poderá se desfazer de parte das ações sem voto recém-criadas sem abalar essa vantagem. A Meta também programou a distribuição de papéis aos demais acionistas e confirmou um desdobramento de suas ações com previsão para janeiro de 2027.

Resultados trimestrais sob impacto jurídico

No campo financeiro, a Meta entregou receita acima do que o mercado esperava no terceiro trimestre, mas viu seus números serem pressionados por custos ligados a disputas judiciais. A companhia registrou uma provisão de cerca de 9,9 bilhões de dólares vinculada a processos envolvendo suas redes sociais.

A decisão sobre a Proposta 40 está agendada para 3 de novembro, mesma data em que os californianos irão às urnas nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. O texto da proposta prevê a tributação extraordinária de grandes fortunas com o propósito de reforçar o orçamento de serviços públicos, com destaque para a saúde.

O setor de tecnologia, porém, reage com críticas à medida. Executivos e investidores argumentam que a taxação pode empurrar grandes fortunas para fora da Califórnia. Segundo apurações, nomes como Sergey Brin e Larry Page, cofundadores do Google, e Peter Thiel, um dos criadores do PayPal e da Palantir, já teriam iniciado providências para deixar o estado.