Os dois deputados mais votados nas eleições em São Paulo, Lucas Pavanato e Eduarda Campopiano, construíram suas campanhas com forte apoio no ambiente digital. Mais de 50% da verba de campanha dos dois foi aplicada em redes sociais, proporção que superou o montante destinado a ações tradicionais de rua, como comícios, caminhadas e contato direto com o eleitor.
Do corpo a corpo ao clique
Ao apostar nas plataformas, os dois eleitos invertiram a hierarquia que costumava nortear as campanhas no estado. Historicamente, as disputas em São Paulo — maior colégio eleitoral do país — exigiam grandes estruturas presenciais, com carreatas, material impresso e eventos abertos ao público. No caso de Pavanato e Campopiano, foi o conteúdo publicado nas redes que ocupou o centro da estratégia, enquanto as ações de rua ficaram com fatia menor do orçamento.
A preferência pelo digital acompanha uma mudança de comportamento do eleitorado, que passou a se informar sobre política cada vez mais por meio de redes sociais, vídeos curtos e publicações instantâneas. Nesse formato, o candidato alcança grandes públicos sem depender de eventos presenciais e consegue medir, na hora, a reação das pessoas ao conteúdo divulgado.
Para as campanhas, esse tipo de investimento costuma envolver produção de conteúdo, equipes de comunicação e impulsionamento de publicações. A lógica é direta: quanto mais o candidato aparece no feed do eleitor, maior a chance de fixar o nome e transformar reconhecimento em voto. O resultado obtido pelos dois mais votados de São Paulo indica que a aposta se mostrou eficaz na disputa.
Referência para os próximos pleitos
O desempenho de Pavanato e Campopiano tende a ser observado por outras candidaturas. Se a estratégia digital foi capaz de colocá-los no topo da votação no estado, a tendência é que mais candidatos repensem a divisão de seus orçamentos entre o online e o offline nas próximas eleições.
Ao mesmo tempo, a concentração de recursos nas redes mantém em pauta o debate sobre a fiscalização das campanhas na internet. A Justiça Eleitoral estabelece regras específicas para a publicidade eleitoral no ambiente digital, e o crescimento dos gastos nesse formato tende a ampliar a atenção sobre o conteúdo veiculado pelas candidaturas durante o período de campanha.
O caso dos dois deputados mais votados em São Paulo materializa, em números, uma transformação que avança na política brasileira: a disputa por votos migra das praças para as telas, e o domínio das plataformas digitais passa a pesar cada vez mais na hora de conquistar espaço nas urnas.