A eleição deste domingo (4) confirmou uma nova onda da direita bolsonarista, maior até que a registrada em 2018. A diferença é que o PL hoje é um partido mais estruturado do que o PSL era naquela época.

Flávio Bolsonaro (PL) terá o maior número de senadores, deputados federais e governadores aliados, um contingente que deve impulsionar sua campanha no segundo turno inclusive em redutos lulistas, como Maranhão e Alagoas.

Queda de Lula no Nordeste

O senador obteve 30,85% dos votos válidos no Nordeste — região que, há quatro anos, deu a vitória a Lula (PT) com vantagem de quase 13 milhões de votos sobre Jair Bolsonaro (PL). Em 2022, o então presidente somou 27% dos votos nordestinos no primeiro turno e só ultrapassou os 30% na segunda etapa.

Os 30% de Flávio podem ser fruto da estratégia de voto útil, que desidratou os demais concorrentes da direita, mas o petista também perdeu apoio na região, como já indicavam as pesquisas ao longo do mandato. Há quatro anos, Lula teve 66,7% no primeiro turno entre os eleitores nordestinos; agora, 63,7%. Naquela eleição, ampliou o eleitorado para 69,3% no segundo turno.

Desta vez, candidatos não lulistas venceram governos importantes, como o de Alagoas, com JHC (PSDB). Ele ficou neutro no primeiro turno para não afastar eleitores lulistas, mas aliados de Flávio aguardam ao menos uma declaração de voto a partir de agora.

Centrão deve aderir

O fim do primeiro turno também libera candidatos do centrão que evitaram apoiar Flávio enquanto disputavam suas próprias eleições. É o caso de Ciro Nogueira, presidente nacional do PP derrotado ao Senado no Piauí; de Arthur Lira (PP), eleito senador em Alagoas; e de ACM Neto (União Brasil), que perdeu novamente o governo da Bahia para o PT.

No Maranhão, terceiro estado mais lulista do país em 2022, os eleitores escolheram como governador Eduardo Braide (PSD), que ficou neutro, e um senador do Novo. Os grupos do governador Carlos Brandão (MDB) e do vice Felipe Camarão (PT) romperam, brigaram pelo apoio de Lula e foram derrotados no primeiro turno. O PL elegeu quatro deputados federais no estado; a federação do PT, apenas dois.

No Pará, a sucessora escolhida por Hélder Barbalho (MDB) perdeu o governo para Dr. Daniel (Podemos). O eleito não fez campanha para nenhum presidenciável, mas contou com apoio do PL — e a expectativa da direita é que declare voto no segundo turno, reforçando Flávio no Norte do país.

Para Lula, as apostas para melhorar o desempenho são a comparação de currículos com Flávio, o fim da escala 6×1 — que será debatido no Senado nas próximas três semanas — e algum resíduo do aumento do Bolsa Família.

Adversários afastados

A vitória da direita foi tão expressiva que afastou até possíveis adversários do clã Bolsonaro no futuro, tanto à esquerda quanto à direita. Fernando Haddad, principal aposta do PT para suceder Lula, sai mais fraco no estado mais populoso do país: teve 44% dos votos no segundo turno há quatro anos e termina agora com 35%. João Campos (PSB), esperança de renovação da esquerda, foi derrotado em Pernambuco por Raquel Lyra (PSD).

Os governadores Eduardo Leite (PSD) e Ratinho Júnior (PSD) tentaram desafiar os Bolsonaro nacionalmente e perderam em seus próprios territórios para candidatos do PL — nem senadores elegeram. Romeu Zema (Novo) insistiu até o final na candidatura presidencial, perdeu o governo e foi abandonado pelo próprio partido.

O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), era visto como possível alternativa mais ao centro caso vencesse ao governo estadual. Tentou se distanciar de Lula na campanha, contou com interferência do STF para tirar o controle do governo estadual do grupo adversário e, mesmo assim, pode ser derrotado no primeiro turno, a depender da decisão da Justiça sobre a validade dos votos de Antony Garotinho (Republicanos).

O resultado serve de alerta até para Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador visto pela Faria Lima como futuro presidente da República. Quem na direita tentou desafiar o bolsonarismo e fugir do roteiro da família se deu mal.