A eleição presidencial de 2026 será decidida entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e o presidente Lula (PT), que busca um quarto mandato no Palácio do Planalto.

Os dois candidatos detalharam suas propostas nos planos de governo, com posições distintas em temas como economia, segurança pública, energia e saúde. Uma série de desafios aguarda o próximo ocupante do Planalto, com problemas históricos que afetam a população brasileira somados a novos obstáculos e demandas sociais.

Economia

No campo do ajuste fiscal e das contas públicas, Lula defende manter o arcabouço fiscal atual para conter o crescimento das despesas, reduzir a taxa de juros e preservar a inflação controlada sem prejuízo das políticas sociais. O candidato também propõe discutir o sistema de emendas parlamentares, classificado no documento como “grave distorção na elaboração e gestão do orçamento federal”.

Flávio Bolsonaro, sob a bandeira do “tesourão”, promete cortar ao menos dez ministérios, reduzir cargos comissionados e despesas administrativas, além de combater supersalários. O senador defende reformular as regras fiscais para estabilizar e reduzir a dívida pública, limitar crédito subsidiado com recursos do Tesouro e controlar gastos discricionários dos três Poderes.

Em investimentos, o petista prevê uma nova edição do Novo PAC para atrair recursos públicos e privados em infraestrutura logística, além de retomar o Programa Nacional de Desestatização. O plano de Flávio Bolsonaro aposta em PPPs e concessões para financiar infraestrutura, com investimento público direto voltado à segurança pública — com meta de dobrar os investimentos federais na área —, à prevenção de eventos climáticos e a compras públicas para induzir inovação tecnológica.

Sobre tributação, Lula quer regulamentar a reforma tributária do consumo para isentar produtos da cesta básica e aplicar imposto seletivo a itens nocivos à saúde. Flávio Bolsonaro propõe revisar a reforma aprovada no governo Lula, reduzir o IVA e criar o programa “Ganha-Ganha”, que pontua quem paga contas em dia e conclui cursos, garantindo juros menores e cashback.

Educação

Na alfabetização, Lula estabelece a meta de alfabetizar 80% das crianças na idade certa, enquanto Flávio Bolsonaro defende priorizar o método fônico e remunerar alunos de bom desempenho para reforçar colegas.

Em orçamento, o petista planeja expandir creches e pré-escolas com recursos do Novo PAC; o plenarista quer gestão de escolas por desempenho e orçamento condicionado a metas de aprendizagem.

No formato de ensino, Lula propõe financiar a educação em tempo integral com Fundeb e Novo PAC. Flávio Bolsonaro defende educação “sem doutrinação”, respeito ao papel das famílias e expansão das escolas cívico-militares, além de voucher para a rede privada em locais com falta de vagas públicas.

Para o ensino técnico, Lula prevê 111 novos institutos federais e cursinho preparatório, enquanto o rival quer ampliar a educação técnica em parceria com o setor produtivo. No ensino superior, o petista defende manter o piso do magistério e criar o Pé-de-Meia Licenciatura; Flávio Bolsonaro propõe migrar a governança do setor para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.