O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), mantém silêncio sobre mortes registradas em ações nas quais dezenas de tiros foram disparados por policiais militares. Enquanto os casos seguem sem qualquer comentário do chefe do Executivo estadual, o mandatário concentra sua atuação pública nas redes sociais, onde promove o senador Flávio Bolsonaro (PL) e faz ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ofensiva digital em favor de Flávio Bolsonaro

As plataformas digitais têm servido de palco para a atuação política de Tarcísio. O governador reeleito utiliza seus perfis para fazer campanha em favor de Flávio Bolsonaro, senador da República e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A estratégia inclui, ainda, mensagens de oposição ao governo federal e críticas recorrentes ao petista que ocupa o Planalto.

Entre os materiais divulgados pelo mandatário paulista está um vídeo com conteúdo falso sobre um ato pró-Lula. A peça foi utilizada no contexto do esforço de comunicação em favor do senador e contra o presidente da República. O material se soma à sequência de publicações de cunho político feitas pelo governador em seus perfis.

Mortes com dezenas de disparos de PMs

Em paralelo à movimentação digital, São Paulo registrou mortes em circunstâncias nas quais policiais militares efetuaram dezenas de disparos. O governador, responsável pela política de segurança pública do estado e pela gestão da PM, não abordou o tema em seus canais oficiais nem prestou declarações públicas sobre as ocorrências.

A Polícia Militar paulista está vinculada ao governo estadual, chefiado por Tarcísio. Cabe ao governador definir diretrizes para a área de segurança e responder pela administração da corporação. Diante dessa estrutura institucional, a ausência de pronunciamento sobre mortes envolvendo agentes da PM se destaca no momento em que o mandatário amplia sua exposição política nas redes.

O contraste entre o silêncio sobre as mortes e a intensidade da atividade política digital marca o cenário atual do governo paulista. Até o fechamento desta reportagem, nenhuma posição de Tarcísio de Freitas sobre os casos havia sido tornada pública.