A Justiça de São Paulo decretou a prisão temporária de três suspeitos de envolvimento em uma série de mortes com características de execução registradas em diferentes regiões da capital e da região metropolitana. São ao menos dez casos desde o início de setembro, alguns marcados por decapitação, esquartejamento e desova de corpos em sacos pretos.
A Polícia Civil tenta agora localizar o trio, alvo dos primeiros mandados expedidos na investigação. Nesta quarta-feira, 14, as equipes cumprem ainda três mandados de busca e apreensão em endereços relacionados aos alvos.
Hipótese do “tribunal do crime”
Uma das linhas apuradas é a de que o trio atuaria no chamado “tribunal do crime” do Primeiro Comando da Capital (PCC), espécie de justiça paralela da facção. A atuação de um assassino em série, por outro lado, é descartada pela polícia.
A suspeita de ação de um serial killer ganhou força nas redes sociais, sobretudo pela brutalidade dos casos. Publicações sobre o tema viralizaram em plataformas como TikTok e Instagram.
A Polícia Civil, no entanto, afasta essa linha. Segundo integrantes da alta cúpula da instituição, apesar das semelhanças, não há elo aparente entre as ocorrências que indique ação de uma só pessoa. “Não existe nenhuma evidência de que um serial killer está agindo em São Paulo”, afirmou em vídeo publicado nas redes na quarta-feira, 7, a delegada Ivalda Aleixo, diretora do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pela maior parte das investigações.
De acordo com a delegada, são casos com dinâmicas diferentes, que passaram a ser reunidos nas redes sociais porque alguns corpos foram encontrados em sacos, cobertores ou tecidos. “Esse tipo de acondicionamento infelizmente é recorrente para transportar e ocultar cadáveres. Mas, isoladamente, não constitui a assinatura de um criminoso”, disse.
Crimes em cinco pontos da região metropolitana
Outro fator que embasa o descarte da tese de assassino em série é a distribuição geográfica das ocorrências. Com o corpo achado na última segunda-feira, 12, na região do Belenzinho, somam-se cinco casos na zona leste, dois na zona sul, um na zona norte, um na zona oeste e um em Itapecerica da Serra, na região metropolitana de São Paulo.
Entre as ocorrências está a de um corpo encontrado amarrado e ensacado em 5 de setembro na região do Jabaquara, na zona sul, e a de um cadáver localizado esquartejado em 19 do mesmo mês no Jaçanã, na zona norte. Outros casos envolvem corpos achados em diferentes condições, sobretudo em sacos plásticos ou mantas.
Até o último balanço, ao menos sete vítimas já haviam sido identificadas. O DHPP busca avançar na identificação de suspeitos e no esclarecimento das possíveis motivações dos crimes, além de localizar e prender o trio alvo dos primeiros mandados expedidos pela Justiça.
