Na última semana antes do segundo turno das eleições 2026, Flávio Bolsonaro (PL) busca sustentar a dianteira sobre Lula (PT) com uma estratégia concentrada no Sudeste, na preparação para o debate da TV Globo e na manutenção da mobilização de rua, em resposta aos atos promovidos pela esquerda pelo país.

Foco nos maiores colégios eleitorais

Até a votação de domingo (25), o candidato do PL passará por São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, priorizando os principais colégios eleitorais do país diante da expectativa de uma disputa apertada. No sábado (24), véspera do pleito, ele deve participar de atos nas capitais mineira e fluminense.

A semana começou nesta segunda-feira (19), com comícios em Marabá (PA) e Manaus, em um giro rápido pela região Norte.

Originalmente, a campanha planejava percorrer o país com os bloquinhos organizados pelos deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e André Fernandes (PL-CE), como contraponto aos atos do PT e da juventude de esquerda. A principal aposta nesse formato foi o bloco realizado no domingo (18), na avenida Paulista, que buscou contrastar com a manifestação pró-Lula ocorrida no mesmo local na semana anterior.

Debate da Globo altera a agenda

O debate da TV Globo, marcado para sexta-feira (23), no Rio de Janeiro, provocou um reajuste de rota. A preparação para o embate com Lula deve consumir mais de um dia, reduzindo as agendas públicas de Flávio. Nesta terça-feira (20), o candidato troca atos de rua por gravações do programa eleitoral em São Paulo e Goiânia.

Enquanto os bloquinhos servem para agitar a base e demonstrar força diante da ofensiva da esquerda, os compromissos de propaganda e debate apontam para uma tentativa de conquistar eleitores indecisos posicionados ao centro.

Aliados avaliam que Flávio teve bom desempenho no debate da TV Bandeirantes, no domingo, superando Lula, mas reconhecem que o formato favoreceu o senador e que é necessário mais ensaio para o confronto na Globo. A equipe do PL admite que o debate anterior não foi propositivo e provavelmente não converteu votos de indecisos.

Por isso, a campanha avalia suavizar a postura do candidato, apresentando-o menos combativo e destacando suas propostas. Parte dos aliados defende ao menos um dia inteiro de preparação, já que, segundo eles, Flávio impediu o bom desempenho de Lula, mas soou repetitivo por não dominar seu repertório.

Mobilização nas ruas

A mobilização bolsonarista no segundo turno veio a reboque da campanha petista, que dominou ruas e redes nos primeiros dias após a votação. A estratégia de Flávio tem como pilar o engajamento de eleitos da base, como Nikolas e Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito em primeiro turno em São Paulo.

Tarcísio acompanhou o senador em Brasília, Porto Alegre e Vitória, e deve participar também dos atos no Rio e em Belo Horizonte. Um auxiliar do candidato diz esperar que a perspectiva de poder leve governadores, senadores e deputados eleitos a entrar de cabeça na campanha presidencial.

Na quinta-feira (15), Flávio divulgou um vídeo de humor com Lucas Pavanato (PL-SP), segundo deputado federal mais votado, atrás apenas de Nikolas. Na gravação, o senador chama o eleito para campanha e Pavanato reforça a mensagem à militância: “A esquerda está tentando te desmobilizar dizendo que Flávio já ganhou. Isso é mentira, nós precisamos virar votos até o último segundo”.

A campanha também busca reverter as abstenções do primeiro turno. “Fica de missão: você conhece alguém que não foi votar no primeiro turno? Conhece alguém que não foi votar em Flávio 22?”, disse o candidato em sua live semanal, na quinta (15).