A possível entrada do marqueteiro João Santana na campanha do presidente Lula para o segundo turno pode provocar uma mudança relevante de estratégia na reta final da disputa contra o senador Flávio Bolsonaro. A informação foi destacada como “bastante relevante” pelo editor de política da VEJA, José Benedito da Silva, no programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal.

Segundo o editor, a eventual chegada de Santana ocorreria no momento mais delicado da campanha de Lula, depois de um primeiro turno que deixou o presidente em desvantagem e que resultou em derrotas de nomes ligados ao campo governista. “Seria o soldado que chega na hora H, no momento mais crucial do combate”, avaliou.

Por que Santana chama atenção

José Benedito lembrou que Santana comandou o marketing da campanha de Dilma Rousseff em 2014 e teve papel central na estratégia adotada contra Marina Silva naquela eleição. Na ocasião, Marina chegou a aparecer nas pesquisas numericamente à frente de Dilma em determinado momento e era vista como uma adversária difícil.

Foi então, na avaliação do editor, que a campanha conduzida por Santana passou a investir fortemente na desconstrução da candidatura de Marina. “Ele entrou para a história das campanhas eleitorais como o personagem que conduziu uma campanha que dizimou a candidatura da Marina”, afirmou José Benedito.

O editor ressaltou que Marina acusava aquela campanha de recorrer a fake news, ataques duros e golpes “abaixo da linha de cintura”. Ao fim do primeiro turno, ela ficou fora da disputa final e, depois, apoiou Aécio Neves contra Dilma.

O que a possível contratação indicaria sobre a estratégia de Lula

Para o editor de política da VEJA, a entrada de Santana faria sentido diante da possibilidade de Lula adotar uma postura mais ofensiva contra Flávio Bolsonaro. “Dentro daquela linha que nós conversamos ontem, logo depois da apuração, de que uma das estratégias de Lula seja partir para o ataque, para golpes abaixo da cintura, na tentativa de desqualificar o adversário dele, faz todo sentido chamar o João Santana, considerando esse histórico”, disse.

A avaliação ocorre em meio à pressão sobre a campanha de Lula para reagir rapidamente. José Benedito descreveu o resultado do primeiro turno como uma derrota ampla, que não se restringiu à disputa presidencial e atingiu também candidatos associados ao governo em diferentes estados.

Do outro lado, segundo ele, Flávio Bolsonaro chega ao segundo turno impulsionado pela eleição de senadores e governadores alinhados à direita. Para o editor, esse conjunto dá ao adversário de Lula uma vantagem política adicional na largada da nova etapa da campanha.

A mudança também revela preocupação na campanha?

Na análise de José Benedito, a eventual convocação de Santana também expõe a dificuldade enfrentada pela equipe de Lula para encontrar uma saída em um intervalo curto até o segundo turno.

Segundo o editor, Lula precisa ainda disputar os votos dos candidatos que ficaram fora da disputa final, especialmente os eleitores que não migraram para Flávio Bolsonaro na reta final.

Este texto é um resumo de trecho do telejornal VEJA em Foco, produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.