A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou nesta quinta-feira (22.out.2026) duas medidas sanitárias: a apreensão de um lote falsificado do suplemento NAC (N-acetil L-cisteína) e a interdição cautelar de um lote do medicamento injetável Fauldleuco. As decisões foram publicadas no Diário Oficial da União, em duas resoluções separadas.

Os dois produtos apresentam indícios de irregularidades consideradas graves pela agência. No caso do suplemento, a fabricação é desconhecida e o item era vendido por uma plataforma de comércio eletrônico. Já o medicamento está sob suspeita de contaminação por material particulado.

Suplemento falsificado

O lote apreendido do NAC é da marca Lauton e foi localizado pela Anvisa na plataforma Shopee. Trata-se do lote 11-2025, com validade em novembro de 2026. Segundo a resolução, a empresa responsável pela fabricação do produto é desconhecida.

Além da apreensão, a agência proibiu a comercialização, a distribuição, a fabricação, a importação, a propaganda e o uso do suplemento.

Interdição do Fauldleuco

A interdição cautelar do Fauldleuco, produzido pela Libbs Farmacêutica, alcança o lote 25D0808. O medicamento é apresentado como solução injetável de 10 mg/mL, em frasco-ampola de 30 mL.

De acordo com a própria farmacêutica, o produto é indicado para o tratamento da anemia megaloblástica e pode ser usado em combinação com o fármaco 5-fluoruracila em cuidados paliativos de pacientes com carcinoma colorretal.

A decisão da Anvisa foi motivada por suspeita de desvio de qualidade ligado à presença de material particulado em unidades do lote. A interdição vale por 90 dias e se restringe ao lote citado na resolução. O documento não informa se o problema foi confirmado, e a Libbs Farmacêutica não havia se manifestado até a publicação da decisão.

Nota da empresa

Em comunicado, a Libbs Farmacêutica afirmou que está adotando as providências necessárias para cumprir a determinação da agência e que a interdição é preventiva, restrita ao lote 25D0808.

Segundo a empresa, o material particulado observado no medicamento corresponde, conforme investigação técnica, à formação de cristais do próprio princípio ativo, o folinato de cálcio — fenômeno que pode ser favorecido por fatores como variações de temperatura durante o armazenamento.

A companhia reforçou que, se o profissional de saúde identificar a formação de cristais, o medicamento não deve ser administrado ao paciente, conforme orientação da bula. A Libbs disse ainda que manterá o acompanhamento do caso junto à Anvisa e às demais autoridades competentes.