O padre Ferdinando Mancílio reafirmou nesta segunda-feira (12) o título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil, durante missa celebrada no Santuário Nacional de Aparecida, no interior de São Paulo.

Sem citar nomes de políticos, o religioso disse ficar indignado com quem segura a imagem da santa sem amá-la e classificou essa postura como mentira.

“Nossa Senhora vem dizer para nós adultos: chega de mentiras. Chega de quem quer os palácios, mas não quer o coração do ser humano. A gente fica indignado quando se tem uma imagem de Nossa Senhora nas mãos, mas a gente sabe que ela não é amada por quem a segura”, declarou o padre.

Mancílio também fez menções à paz e à justiça ao longo da celebração, que contou com a participação de várias crianças. “Senhora de nossa pátria, concedei que o povo brasileiro fiel à sua vocação, vocação à paz e à justiça, possa chegar à pátria definitiva”, disse.

Críticas anteriores

Em fevereiro deste ano, o mesmo padre havia criticado a “marcha a Brasília”, caminhada liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em protesto contra as condenações pela tentativa de golpe de Estado determinadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Na ocasião, também sem citar o nome do parlamentar, Mancílio afirmou que “não adianta querer fazer uma marcha para Brasília alguém que nunca teve nenhum projeto a favor do povo e diz que está querendo defender a vida”. “Mentira. Quer o poder”, completou.

Santa no centro do debate eleitoral

Nossa Senhora Aparecida ganhou destaque no debate eleitoral antes do primeiro turno das eleições de 2026. A polêmica começou após o candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, que é evangélico, prometer que, se eleito, um de seus primeiros atos será “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. Ele não explicou o que a medida significaria para um Estado laico.

A declaração deu origem à disseminação de uma notícia falsa segundo a qual Flávio teria um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. “Isso é uma grande mentira, não tem pé nem cabeça, não existe esse projeto”, afirmou o candidato em vídeo publicado em suas redes sociais.

Um projeto nesse sentido, de fato, já existiu: foi apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victorio Galli (MT), que depois foi assessor especial da Presidência no governo de Jair Bolsonaro (PL), e acabou arquivado no ano seguinte.

Flávio Bolsonaro acusou, sem apresentar provas, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) de colaborar com o PT para espalhar a informação falsa. Em nota, a entidade negou a acusação e afirmou: “A mentira não se combate com outra mentira”.

Após a repercussão do caso, o senador segurou uma imagem de Nossa Senhora em um ato de campanha em São Paulo antes do primeiro turno e agradeceu à CNBB, um dia depois de responsabilizar “gente de dentro” da entidade católica pela acusação.

Candidatos em missas

Os dois candidatos que disputam o segundo turno participaram de missas em homenagem à padroeira nesta segunda-feira. Flávio Bolsonaro compareceu à celebração na Catedral de Brasília, enquanto Lula (PT) participou de uma missa no Palácio da Alvorada.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) acompanhou a missa solene na Basílica de Aparecida, acompanhado da mulher, Lu Alckmin, e de aliados políticos, como o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), a deputada federal reeleita Tabata Amaral (PSB) e o marido, João Campos (PSB), derrotado na disputa pelo Governo de Pernambuco.