O PT foi às redes sociais nesta terça-feira (29) para explorar uma reportagem do site PlatôBR segundo a qual Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, teria participado de festas com garotas de programa, sido alvo de chantagem de um ex-sócio e recebido, em 2022, um relógio de R$ 305 mil de um lobista.
O perfil do partido no X (antigo Twitter) publicou um post citando ‘orgias bancadas com dinheiro de origem suspeita’. A publicação afirma que o material revela a participação de Flávio em orgias, um Rolex de R$ 300 mil e ainda mensalidades de academia de luxo pagas por empresários e lobistas ao senador durante o governo do pai, Jair Bolsonaro.
O ministro da Secretaria de Relações Institucionais do governo Lula, José Guimarães (PT), também comentou o tema: ‘Não é fofoca. São registros!’, escreveu.
Candidato evita responder
Questionado por jornalistas durante agenda em uma academia de jiu-jitsu em São Paulo, Flávio não quis falar sobre as mensagens relatadas pelo PlatôBR. A assessoria da campanha foi procurada, mas também não se manifestou.
O que diz o site
De acordo com o PlatôBR, o empresário Alexandre Santini, ex-sócio de Flávio na loja de chocolates investigada pelo Ministério Público no caso das ‘rachadinhas’, guardou mensagens trocadas com o senador e ameaçou divulgar imagens das festas. Ele ainda teria documentos que mostram o recebimento do relógio de R$ 305 mil de um advogado lobista.
Segundo a publicação, Santini teria organizado, com a presença de Flávio, encontros com garotas de programa. Os dois romperam porque o empresário alegava que o filho de Bolsonaro lhe devia dinheiro. Santini teria, então, mostrado os supostos registros à mulher do senador, Fernanda Bolsonaro.
O site ainda exibe imagens de uma troca de mensagens atribuída aos dois. Nela, o empresário acusa o senador de ter tratado diretamente com o ministro do STF Kassio Nunes Marques sobre interesses de um cliente de um advogado lobista. Procurado, Kassio afirmou que atende ‘parlamentares de todos os partidos, que defendem interesses distintos’ e que isso é ‘praxe entre todos os gabinetes do Supremo, não representando prejuízo para a isenção dos magistrados’.
As informações divulgadas pelo site ainda não foram confirmadas de forma independente.
Histórico de investigações
Flávio e Santini foram sócios em uma franquia da Kopenhagen que, segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, era usada para lavar dinheiro do esquema da ‘rachadinha’, que teria envolvido a devolução de parte dos salários de assessores de seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio. O filho de Bolsonaro foi denunciado no caso e sempre negou as acusações.
Em 2021, o STJ anulou todas as decisões do juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal do Rio, ao entender que o processo deveria correr em segunda instância, já que Flávio era deputado na época dos fatos e tinha direito ao foro especial. A Segunda Turma do STF também anulou relatórios do Coaf que embasaram a denúncia contra o senador.
Agenda com Marçal
O evento em São Paulo contou com a presença do influenciador Pablo Marçal, que está inelegível. Marçal disse estar ‘se integrando’ à equipe do candidato e insinuou poder participar de um futuro governo.
Flávio afirmou que Marçal é um ‘grande empreendedor’ e vai ‘ajudar nessa parte de empreendedorismo e mobilidade social’, sem confirmar se houve convite para eventual cargo. Em nota, a campanha do senador disse apenas que ele ‘recebeu apoio’ de Marçal, que tem ‘a bandeira em comum do empreendedorismo como caminho para prosperidade’ das famílias brasileiras.
