A organização CTRL+Z divulgou nesta sexta-feira (23) uma reportagem segundo a qual falhas técnicas que prejudicavam o perfil do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Instagram permaneceram ativas durante a reta final da eleição.

Assinada pelos repórteres Tatiana Dias e Paulo Motoryn, a publicação se baseia em documentos internos da Meta e registra problemas em stories, comentários e na ferramenta de busca que afetaram somente a conta de Lula — e não a de seu adversário no pleito, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Na semana passada, a Folha havia revelado que funcionários da empresa reconheceram, em mensagens internas, que a conta do presidente foi prejudicada em relação ao perfil do senador. Os empregados também admitiram que houve recomendação algorítmica da conta de Flávio Bolsonaro no Instagram e de seu canal de apoio no WhatsApp, prática proibida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Relatório interno aponta seis problemas

De acordo com a CTRL+Z, um relatório interno da Meta datado de 19 de outubro registra ao menos seis falhas classificadas como de alta prioridade ligadas à conta de Lula, que seguiam sem solução no Instagram e no aplicativo Meta AI. Entre terça-feira (20) e quarta-feira (21), funcionários voltaram a relatar defeitos envolvendo a busca pelo perfil do presidente e anúncios.

As falhas incluíam comentários que não apareciam, stories que duravam apenas seis segundos ao serem compartilhados e o perfil de Lula que não era exibido na busca.

Segundo a organização, em todos os casos os funcionários tinham ciência de que os problemas violavam a legislação eleitoral e demonstraram receio de punições do TSE, que determinou à Meta a proibição de discriminar candidaturas sob multa de R$ 500 mil por dia — valor depois elevado para R$ 1 milhão por dia. Até o momento, a empresa não foi penalizada.

Busca e stories

Um dos episódios apontados na reportagem envolve o mecanismo de busca do Instagram. Entre 6 e 10 de outubro, a empresa identificou que uma regra técnica exigia a correspondência de pelo menos cinco caracteres para localizar contas de candidatos. Como o nome “Lula” tem apenas quatro letras, a pesquisa pelo nome do presidente não exibia seu perfil corretamente.

Nas mensagens internas obtidas pela Folha e citadas em matéria publicada em 16 de outubro, funcionários afirmavam que o problema havia sido corrigido. Segundo a CTRL+Z, porém, os registros indicam que a falha continuou ocorrendo depois dessa data.

Outro defeito identificado no relatório atingiu o compartilhamento de vídeos do presidente. Em 16 de outubro, a Meta registrou uma falha que reduzia os vídeos de Lula a apenas seis segundos quando compartilhados nos stories do Instagram.

O que diz a Meta

Em comunicado divulgado em 16 de outubro, após a publicação da matéria da Folha, a Meta afirmou que não interfere nas eleições brasileiras e classificou os episódios relatados como “incidentes técnicos”.

A empresa declarou que “são falsas e infundadas as alegações de que estamos favorecendo ou interferindo em nome de qualquer candidato ou grupo político”. Segundo a companhia, “nossos sistemas não classificam nem distribuem conteúdo com base em ideologia política, e nossas regras e sua aplicação valem igualmente para todos”. A Meta também afirmou que “não suprime conteúdo para prejudicar um lado nem dá tratamento preferencial a qualquer lado”.