O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, celebrou na quarta-feira 21 a aprovação, no Brasil, das novas normas trabalhistas que põem fim à escala 6×1 e reduzem de forma gradual a jornada semanal. Em publicação nas redes sociais, ele classificou a medida como uma conquista dos trabalhadores brasileiros e lembrou a conversa que teve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), recebido por ele em setembro, na cidade americana.
Elogio ao Brasil
“Há um mês, reuni-me com o presidente Lula para discutir como o governo pode servir às pessoas pobres e à classe trabalhadora. Semanas depois, o Brasil deu um passo histórico: uma jornada de trabalho de 40 horas semanais, com pelo menos dois dias de folga e sem redução salarial, beneficiando mais de 30 milhões de trabalhadores”, escreveu Mamdani no X, antigo Twitter.
Na sequência, ele traçou um paralelo com a história americana. “Nos Estados Unidos, os trabalhadores lutaram durante décadas para conquistar a jornada de cinco dias por semana. Os trabalhadores brasileiros também lutaram por essa vitória. Parabenizo-os por essa conquista”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Quem trabalha merece ter tempo para viver, não apenas para trabalhar. Construir um futuro melhor significa devolver às pessoas uma parte maior de suas próprias vidas. E continuaremos lutando por isso.”
Lula respondeu à postagem logo depois. “O fim da escala 6×1 é uma vitória da classe trabalhadora! Vida além do trabalho!”, publicou o petista.
Encontro em setembro
O presidente brasileiro esteve com o líder nova-iorquino às vésperas da abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, em encontro solicitado pelo próprio Mamdani. Na ocasião, Lula também se reuniu com outros políticos progressistas, como o senador Bernie Sanders.
Na época, Lula descreveu o anfitrião como “um jovem político que representa muito do que há de novo na política e tem um papel importante no futuro dos Estados Unidos e do mundo”. Segundo o presidente, a conversa abordou o combate à pobreza e a importância de trazer cada vez mais jovens para a política. “É muito bom ver novas gerações chegando com disposição para transformar a realidade”, avaliou.
Estrela da esquerda americana
Desde a vitória eleitoral no ano passado, Mamdani — que, como Sanders, se autointitula “socialista” — tornou-se referência na ala mais à esquerda do Partido Democrata, que vem avançando nas urnas com pautas como moradia acessível, ônibus grátis, mais creches públicas, aumento gradual do salário mínimo e mercados municipais subsidiados e mais baratos. O conjunto de propostas, dentro de seu conceito de maior “acessibilidade”, foi bem recebido pelos eleitores.
Para bancar o programa, o prefeito defende elevar o imposto corporativo municipal de 9% para 11,5% e criar uma taxa extra de 2% sobre rendimentos acima de US$ 1 milhão. Por enquanto, o que conseguiu implementar foi um tributo sobre imóveis de luxo avaliados em US$ 5 milhões ou mais e cujos donos residem fora de Nova York — estima-se que só essa alíquota arrecade cerca de US$ 500 milhões por ano.
Nascido em Uganda, filho de indianos e naturalizado americano em 2018, Mamdani despontou como um dos nomes mais comentados da política dos Estados Unidos.
